Foi resolvido um dos mistérios que atormentava a comunidade científica há vários meses e que fez correr muita tinta pelo mundo. Um grupo de cientistas apurou que é a China a responsável pelo aumento de CFCs na atmosfera.

De acordo com os investigadores, indústrias chinesas no Nordeste do país têm libertado grandes quantidades de gases com efeito de estufa nos últimos meses, químicos proibidos desde os anos 80, devido ao efeito nefasto que têm na camada protetora da atmosfera.

Desde 2013 que as emissões do gás tricloromonofluormetano (CFC-11), um dos químicos proibidos no Protocolo de Montreal, de 1987, subiram em flecha, em especial em 2017. Foi encetada uma investigação internacional para apurar quais seriam os responsáveis pelo crescimento de 7 mil toneladas. Já se desconfiava que algum país asiático estivesse por trás deste aumento e a teoria foi agora corroborada por um estudo publicado no jornal “Nature”.

As nossas medições mostravam ‘picos’ de poluição quando o ar era direcionado a partir das áreas industrializadas” na China, explicou u dos autores da investigação Sunyoung Park, da Universidade da Coreia do Sul.

O CFC-11 era usado comumente, nas décadas de 70 e 80, como material isolador.

Depois de os aerossóis terem sido banidos, as concentrações globais de CFC-11 registaram um declínio crescente até 2012. De 2013 a 2017 foi verificado um aumento significativo, que só poderia ter causas humana, uma vez que o químico não está presente sob forma natural na natureza.

Num estudo, publicado no ano passado, a Agência para a Investigação Ambiental culpou as fábricas nas províncias de Shandong e Hebei, nos arredores de Pequim, na China, pelo aumento súbito de CFCs na atmosfera. As suspeitas foram corroboradas, segundo o “The Guardian”, quando as autoridades chinesas ordenaram o encerramento destas indústrias sem explicação aparente. Contudo, as “estações de monitorização estavam montadas em locais remotos, longe das fontes potenciais”, afirmou Ron Prinn, professor no MIT, em entrevista à publicação, por isto, não tinha havido confirmação até à data.

Os cientistas garantem que as consequências da emissão de CFCs vai muito além da emissão de gases responsáveis pelas alterações climáticas, como o metano e o CO2, uma vez que o CFC-11 é mais potente e dura mais tempo na atmosfera. De acordo com o “The Guardian”, este químico que destrói a camada do ozono é ainda responsável por 10% do aquecimento global.

Atualmente o “buraco na camada do ozono” parece estar a fechar lentamente, mostrando claros sinais de recuperação.