O uso excessivo de antibióticos pode aumentar o risco de desenvolver cancro do intestino, refere um estudo realizado nos Estados Unidos da América (EUA).

Uma investigação, publicada na revista médica Gut, revela que o uso prolongado de antibióticos aumenta de forma significativa a possibilidade de se formarem pólipos no cólon, os precursores do cancro do intestino.

Os resultados reforçam a evidência de que o tipo e a diversidade de bactérias presentes no intestino podem ter um papel fundamental no desenvolvimento de cancro, referem os autores do estudo.

O especialista australiano em cancro do intestino, Graham Newstead, chefe da Unidade Coloretal do Hospital Privado Príncipe de Gales e diretor do Instituto australiano de Cancro do Intestino, afirma que há lógica e "credibilidade" naqueles resultados.

Nós já sabemos que quem tomar antibióticos com frequência fica com diarreia”, refere Newstead, citado pelo jornal britânico The Guardian.

 

Isso acontece porque o antibiótico mata algumas das bactérias normais no intestino, levando a um supercrescimento das bactérias anormais", acrescenta.

Cientistas norte-americanos monitorizaram a saúde de mais de 120 mil enfermeiros, com idades entre 30 e 55 anos, que faziam parte de um estudo, o Nurses Health Study, lançado em 1976.

Entre 2004 e 2010, o estudo diagnosticou 1.194 crescimentos anormais de pólipos no cólon e no reto.

Os enfermeiros que tomaram antibióticos durante dois meses ou mais, entre os 20 e 39 anos, apresentaram mais 36% de probabilidades de serem diagnosticados com um adenoma, ou pólipo, em comparação com aqueles que não tinham tomado antibióticos durante um período prolongado naquela idade.

Da mesma forma, mulheres que tomaram antibióticos durante dois meses ou mais entre os 40 e os 50 anos tinham mais 69% de probabilidades de serem diagnosticadas com um adenoma.

E quem tinha tomado antibióticos durante 15 dias ou mais entre os 20 e os 39 anos, e entre os 40 e os 59, tinha mais 73% de probabilidades de ser diagnosticado com adenoma.

Isto parece indicar que as pessoas que tomam muitos antibióticos podem correr maior risco de ter pólipos do que as pessoas que tomam menos", refere Graham Newstead.

 

E, recordando que nem todos os pólipos se transformam em cancro, mas que o cancro vem dos pólipos, se tem mais pólipos ou tendência a ter pólipos, então talvez corra ligeiramente mais risco de contrair cancro", acrescenta.

A mensagem a ser retirada do estudo é que não se deve tomar antibióticos apenas porque se tem "cócegas" na garganta ou uma constipação, remata Newstead.

 
Aline Raimundo