É um fenómeno sem precedentes nos céus do Árctico. Nos primeiros três meses de 2011, cientistas afirmam ter observado um «buraco» de ozono sobre a região, semelhante ao que normalmente se forma sobre a Antárctida. Uma investigação publicada pela revista «Nature» revela que, pela primeira vez desde que há medições do ozono, houve sobre o Pólo Norte uma rarefação da camada de ozono comparável à que há normalmente no Pólo Sul.

Dados analisados por uma equipa liderada por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jacto, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, revelam que, no princípio de 2011, a redução na concentração de ozono estratosférico sobre o Árctico superou os 80%, a 18-20 quilómetros de altitude.

A camada de ozono protege a Terra da radiação ultra-violeta, mas gases sintetizados industrialmente destroem as moléculas de ozono na alta atmosfera. O fenómeno, que é mais acentuado na Primavera polar na Antárctida, entre Setembro e Novembro, chegou agora ao Árctico. Esta rarefação da camada do ozono teve origem numa longa época de frio àquela altitude, que tornou os elementos químicos que destroem o ozono mais activos e criou um «buraco» com cinco vezes a dimensão da Alemanha.

«Os nossos resultados mostram que buracos no ozono Árctico são possíveis mesmo com temperaturas mais amenas do que na Antárctida», diz o resumo do estudo, referindo-se ao facto de as temperaturas polares no Sul serem normalmente mais baixas do que no Norte.

O estudo associa as baixas concentrações de ozono a longos períodos de frio no Árctico. «Os invernos na estratosfera do Árctico são muito variáveis, alguns são quentes, outros são frios. Mas nas últimas décadas, os invernos frios têm-se tornado cada vez mais frios», diz Michelle Santee, uma das autoras principais do estudo, citada pela BBC.

A causa principal do buraco na camada de ozono tem vindo a ser combatida desde 1987, com tratados internacionais que baniram o uso de determinados compostos clorados, utilizados, por exemplo, em frigoríficos e extintores de incêndio. Mas, apesar da fabricação e uso terem caído a níveis irrisórios, as concentrações industriais permanecem activas na estratosfera durante décadas e ainda não baixaram o suficiente.

Na Antárctida ou Pólo Sul, calcula-se que a camada de ozono só regressará a níveis pré-industriais por volta de 2050.
Redação / AR