As ilhas Cocos, na Austrália, são a casa de mais de 414 milhões de objetos poluentes de plástico. Desta família nociva para o meio ambiente, fazem parte 977 mil sapatos. As praias destes territórios estão cheias de lixo, cerca de 238 toneladas de plástico.

Além da contabilização feita no que diz respeito a calçado, foi ainda possível apurar uma quantidade de escovas de dentes considerável: 373 mil.

As conclusões são de uma investigação do Instituto de Estudos do Mar e da Antártida, da Universidade da Tasmânia, de acordo com o The Weather Channel.

Segundo os cientistas, que também fizeram um estudo com conclusões semelhantes na ilha Henderson, que publicaram os resultados na revista Nature, estas ilhas remotas do oceano Índico estão entre as que reúnem maior densidade de partículas de plástico registadas no planeta.

A nossa estimativa de 414 milhões de peças, com um peso de 238 toneladas, nas Cocos é modesta, sendo que só recolhemos amostras a uma profundidade de 10 centímetros e não conseguimos ter acesso a algumas ilhas que, sabemos, são casa de muitas partículas”, explicou em comunicado a autora do estudo Jennifer Lavers.

A responsável sublinhou que os plásticos encontrados nas Cocos eram “largamente de consumo descartável, como garrafas de plástico, tampas, palhinhas tal como um grande número de sapatos e chinelos”.

Com a quantidade plástico encontrada na ilha, Lavers chamou a atenção para um indicador da quantidade deste material que está neste momento a circular nos oceanos.

A poluição dos plásticos é hoje omnipresente nos oceanos e estas ilhas remotas são o sítio ideal para observarmos de forma objetiva o volume de partículas que há a circular no globo”, notou a investigadora.

“Limpar os nossos oceanos não é atualmente possível”

Metade do plástico fabricado nos últimos sessenta anos foi produzido nos últimos 13, aumentado significativamente a quantidade de agentes poluentes disponíveis no ambiente. A conclusão é de Annett Finger, da Universidade australiana de Victoria e coautora do estudo.

Cerca de 12.7 milhões de toneladas de plástico entraram nos oceanos em 2010, com 40% a entrar no circuito de desperdícios no mesmo ano em que são produzidos”, destacou Finger. Estima-se que haja 5.25 biliões de pedaços de plástico nos mares como consequência do “boom” no consumo de plásticos descartáveis.

Finger esclarece ainda que, tendo em conta as quantidades, “limpar os nossos oceanos não é atualmente possível”.

Limpar as praias poluídas com plásticos é algo que custa tempo, dinheiro e precisa de ser regularmente repetido, uma vez que milhares de novas peças acabam no mar todos os dias”, sustentou a especialista.

A única maneira viável de reduzir a poluição é reduzir a produção de plásticos e o consumo, ao mesmo tempo que se melhora a gestão de desperdícios para acabar com os plásticos em fim de vida nos oceanos”, sublinou Finger.