Todas as semanas ingerimos cerca de cinco gramas de plástico, o equivalente a um cartão de crédito. A conclusão consta num novo estudo que foi agora divulgado.

Esta contaminação está relacionada com microplásticos – partículas muito pequenas – que estão presentes na nossa comida, na água que bebemos e até no ar. O número é bem redondo: ingerimos uma média de 2.000 partículas de microplástico por semana, ou seja, cerca de 250 gramas por ano.

O novo estudo foi realizado pela Universidade de Newcastle, na Austrália, e financiado pela organização ambientalista World Wildlife Fund (WWF), originando o relátio "No Plastic in Nature: Assessing Plastic Ingestion from Nature to People" (Não ao plástico na Natureza: avaliar a ingestão de plástico da Natureza pelas pessoas).

Segundo a investigação, é ao berbermos água que ingerimos a maior quantidade de plástico: cerca de 1.769 partículas por semana. O marisco é a segunda maior fonte de plástico (182 micropartículas), uma vez que são ingeridos inteiros, com o sistema digestivo.

Está claro que o problema dos microplásticos é um problema global. Mesmo que os países tentem limpar o seu ‘quintal’ isso não os torna seguros uma vez que as partículas podem entrar através de outras fontes”, explicou Kala Senathirajah, uma das autoras do estudo, em declarações à CNN.

Os microplásticos têm diferentes origens: podem ser provenientes de fibras artificiais usadas na confeção de roupas, de microesferas que existem nas pastas de dentes ou até em peças de plástico grandes que, quando são deitadas fora, se desfazem em pedaços mais pequenos.

O que acontece é que estas partículas acabam quase sempre nos rios ou nos oceanos e são ingeridos por peixes, que, por sua vez, integram outras cadeias alimentares, incluindo a do Homem.

Apesar de não haver estudos que expliquem claramente os efeitos negativos do plástico na saúde humana, há uma crescente preocupação dos especialistas em relação a este problema.

Globalmente são produzidos cerca de 330 milhões de toneladas de plástico por ano e esta quantidade deverá triplicar até 2050. O pior de tudo é que se tratam de susbstâncias difícieis de remover do meio ambiente. Por isso, os autores deste novo relatório destacam a importância do combate à poluição de plástico, na sua origem.

Precisamos de combater a poluição do plástico na sua origem e de impedir que o plástico entre na Natureza", vincou Kala Senathirajah.