Dois meses depois da China revelar o genoma do Covid-19, a Universidade de Valência e a Fundación para el Fomento de la Investigación Sanitaria y Biomédica de la Comunidad Valenciana anunciaram que conseguiram extrair os primeiros genomas completos do vírus que está a afetar a vizinha Espanha. Trata-se, no fundo, do mesmo coronavírus, mas com alterações que o permitem distinguir.

Um dos investigadores que participou no estudo disse ao jornal El Confidencial que "o genoma  está em mutação contínua, justamente o que permite seguir a trajetória do vírus nos diferentes países e cadeias de transmissão". Fernando González fala numa situação normal: 

Quase todos os vírus que se sequenciaram até hoje apresentam algumas diferenças do primeiro. Mais, os genomas isolados no Brasil, têm 16 mutações em relação ao primeiro."

O país da América do Sul divulgou o código genético do vírus dos dois primeiros casos detetados. O genoma do primeiro deles é idêntico ao dos sequenciados na região da Lombardia, em Itália, Alemanha, México e Finlândia. O código do segundo é diferente do do primeiro, apesar de ambos os homens terem contraído o vírus em Itália, o que evidencia que a doença se vai adaptando à medida que passa de pessoa em pessoa.  

Em Portugal, o Instituto Ricardo Jorge também já anunciou que conseguiu sequenciar o genoma dos dois primeiros casos no país, ambos com informações idênticas a casos reportados em Itália, apesar de o segundo caso ter sido um homem que veio de Espanha, precisamente de Valência. Um dos genomas tinha mais cinco mutações, e outro mais oito, relativamente ao número de mutações dos genomas iniciais sequenciados na China.

Por agora, a notícia chegada do país vizinho ajuda a revelar mais pistas sobre o comportamento do vírus, que se multiplicarão no momento em que forem adicionadas à base de dados mundial, conjunto de informação que vai permitir avaliar as diferentes estirpes. Estas investigações são especialmente válidas porque ainda não se conhece a capacidade exata de mutação do Covid-19, condição fundamental para perceber, no futuro, se uma vacina é suficiente para erradicar o vírus ou se, pelo contrário, ele poderá surgir de forma distinta em cada temporada.

É certo que, até agora, já se estabeleceram duas estirpes do vírus, porém a teoria, não reune consenso na comunidade científica. Trata-se do SARS-Cov-2, tipo L e tipo S. O primeiro será o mais agressivo, e o segundo o que provoca sintomas mais ligeiros, apesar de continuar a ser igualmente contagioso.

No total, já foram tornados públicos mais de 400 genomas de casos em 30 países, porém o caminho da ciência para entender o novo coronavírus prevê-se, ainda, longo.

Emanuel Monteiro