Cientistas italianos podem ter descoberto uma "Super-Terra" a orbitar a estrela Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, mas menor e mais fria. 

A existir, este novo planeta, batizado de Proxima c, não será provavelmente habitável, dada a distância a que fica da sua estrela, mas a proximidade ao planeta Terra daria aos cientistas uma oportunidade inigualável de estudar outro sistema planetário.

Num estudo publicado quarta-feira na revista científica Science Advances, os astrónomos italianos Mario Damasso, do Instituto Italiano de Astrofísica, e Fabio Del Sordo, da Universidade de Creta, referem precisamente que, como Proxima Centauri é a estrela mais próxima do Sol, a descoberta de mais este planeta significa que teríamos descoberto o sistema planetário mais próximo do nosso.

Em 2016 foi detetado o Proxima b, um planeta potencialmente habitável a orbitar Proxima Centauri, que fica a apenas 4,2 anos-luz da Terra. Foi após esta descoberta que os cientistas admitiram a existência de um segundo planeta neste sistema. 

Proxima Centauri acolhe um sistema planetário que é muito mais complexo do que sabíamos, e não sabemos quanto está por descobrir", disse à CNN Fabio del Sordo, um dos autores do estudo agora publicado.

Recorrendo ao método da velocidade radial, que mede variações da velocidade a que uma determinada estrela se afasta ou aproxima de nós através do espectro da estrela - um método usado pelos chamados "caçadores de planetas" - os astrónomos  analisaram mais de 17 anos de dados de velocidade radial, usando o  Atacama Large Millimeter Array, telescópio de última geração construído no cimo dos Andes, para rastrear sinais de luz. 

Nesta altura, os investigadores não excluem que o sinal detetado possa dever-se à atividade do campo magnético da estrela Proxima Centauri, mas  como este ocorreu durante um período superior a 1900 dias,  há um forte indício de que existe ali um segundo planeta, com uma passa seis vezes superior à da Terra.

Mas, a existir, o Proxima c levanta ainda outra questão: não deveria ter-se formado no local onde está.

É no interior da chamada "linha de neve", onde a água se evapora, que se pensa que nasçam os planetas rochosos mais pequenos, como a Terra. Para lá da linha de neve, a presença de gelo de água permite a rápida formação de bolas de neve cósmicas, que eventualmente irão formar planetas gasosos massivos como Júpiter, refere uma nota do Observatório Europeu do Sul sobre este tema. Porém, o Proxima c está muito para lá dessa linha de neve. A comprovar-se a existência deste planeta, com características como as da Terra, fica em causa este modelo de formação de planetas. 

A equipa de cientistas espera agora conseguir juntar mais dados através da Missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, que procura cartografar a galáxia em 3D.

O telescópio Gaia ainda está a observar e calculamos que quando for libertada a ultima série de dados haverá informação suficiente para confirmar ou descartar a existência de Proxima c", diz Fabio del Sordo, um dos astronómos responsáveis pelo estudo, em comunicado divulgado pelo instituto italiano de astrofísica.