O Facebook vai passar a bloquear todo o conteúdo noticioso publicado e partilhado na Austrália, depois de ter sido proposta uma lei que pede à empresa, tal como à Alphabet, dona da Google, que paguem aos meios de comunicação de cada país pelas notícias que produzem.

Esta lei pode marcar uma mudança na forma como os meios de comunicação partilham e publicam coisas nestas plataformas. Na prática, por cada conteúdo feito pelos websites de notícias, a Google e o Facebook, por exemplo, recebem um x do valor total recolhido pelas empresas produtoras.

O governo australiano já anunciou que pretende levar esta medida a votação nas próximas semanas, mostrando-se irredutível na contenda com os gigantes tecnológicos. Esta quarta-feira a medida conheceu a primeira aprovação, na câmara baixa do parlamento.

Sobre as novas regras impostas pelo Facebook, os utilizadores australianos passam a deixar de poder ler ou partilhar notícias na plataforma, enquanto os meios de comunicação social da Austrália estão restringidos de partilhar ou publicar qualquer conteúdo nas suas páginas da rede social.

Globalmente, publicar e partilhar notícias novas de meios de comunicação australianos está restringido", informou a empresa.

Em reação à mesma notícia, a Google já ameaçou fechar o motor de busca no país para evitar leis de conteúdo que considera "impraticáveis". Ainda assim, a empresa já chegou a acordos com meios de comunicação do Reino Unido, Alemanha, França, Brasil e Argentina.

Para o Facebook, a legislação em causa interpreta mal a relação entre a rede social e os meios de comunicação social. Defende a empresa que são os websites que publicam as notícias de forma voluntária.

Entretanto, e num ponto de vista paralelo, várias contas de serviços de emergência também viram as suas contas bloqueadas no Facebook. Foi o que aconteceu à Agência de Meteorologia da Austrália, que deixou de conseguir comunicar eventuais alertas importantes aos seus seguidores.

Para o ministro australiano da Comunicação, Paul Fletcher, o Facebook "precisa de pensar com muito cuidado sobre o que isto significa para a sua reputação e posição".

António Guimarães