Os novos tempos levam-nos a concluir que valorizamos quem prima pela originalidade. Os que, qual Steve Jobs, ousam ir mais além, pensar mais alto, arriscar mais e surpreender-nos com ideias que mudam o mundo ou simplesmente o tornam mais prático, mais divertido. Pode ser uma simples caixa de pesquisa do Google. Pode ser pão de forma fatiado. Um telemóvel de ecrã táctil e apenas uma tecla. Um sistema de navegação GPS. A originalidade, achamos, é e será sempre premiada.

Mas no mundo das redes sociais desde há muito que as ideias copycats proliferam e nesta luta de feras só mesmo os mais fortes sobrevivem. E não há grande memória dos restantes. Nem mesmo saudade pelos que ousaram pela originalidade. E ao contrário também, há apenas alguma indiferença quanto ao facto dos que ficam simplesmente copiarem as ideias de outros e adaptarem-nas como suas. Será este o tempo dos copycats?
Certamente muitos ainda se lembram do MiRC ou do MySpace ou mesmo do serviço de chat do MSN. Fazem parte de uma memória digital coletiva que recordamos com carinho. Hoje a nossa realidade faz-se de Google Search e Youtube, Facebook e Instagram, Messenger e Whatsapp, Linkedin e Snapchat, Twitter e pouco mais.

Quando olhamos para o Linkedin vemos uma das primeiras ideias originais na história das redes sociais. O registo na rede tinha de ser feito com o email e a identidade pessoal era obrigatória – primeiro e último nome, se faz favor. Hoje parece banal, mas antigamente todos usávamos nicknames. Precisamente o que levava muitos a vê-las como suspeitas e pouco críveis. E uma das primeiras redes sociais a copiar a ideia foi o Facebook, tirando partido dessa ideia de um ambiente digital mais ‘seguro’, sobretudo contrapondo à época onde o hi5 era rei.

Quando o iPhone estava a ser lançado, já habitavam no mundo aplicações de streaming vídeo Live, como o popular QIK, hoje desaparecido; Entretanto, o Youtube lançou o seu serviço de streaming de vídeo mas apenas para PC. Reclamavam os utilizadores o streaming pelo telemóvel; a Google preferiu investir em copiar o Skype e lançar o serviço aditivado do Hangouts. E foi o Facebook que levou a melhor ressuscitando na altura certa e para o seu contexto a ideia dos Vídeos Live através do telemóvel.

Anos antes a Google lançara o Google+ com a ideia de maior controlo pelos utilizadores; a chave, diziam, eram os ‘Circles’, ou seja, a possibilidade de definir círculos de amigos para gerir melhor as questões de privacidade muito populares na altura. E alguém se lembra o que aconteceu então? Não precisa. Basta pesquisar quantos utilizadores tem hoje cada uma destas redes sociais e tem a resposta.

Surgem então 3 jovens, o rosto de Evan Spiegel é o mais badalado, que criam o Snapchat. Mensagens gráficas na vertical, com possibilidades de Smiles e grafismo desenhado por cima ao gosto do artista que há em cada um de nós, e até com vídeo, mas tudo apenas até 12 segundos, e depois, ‘Puff!’, desaparecem. Meio mundo julgou-os loucos e outro meio adotou-os em contra-relógio. Hoje o conceito dos Snaps e das Stories estão já replicados no Facebook Messenger e no Instagram e no Whatsapp, tal como as máscaras com que fazemos selfies divertidas.

Alguém se queixa?

Apenas os que por detrás destas empresas lutam neste ringue.

Aos demais utilizadores, são episódios que lhes escapam e nem mesmo valorizam. Ninguém deixará de usar a sua rede social porque é ‘menos original’ do que aparenta e se inspira na do vizinho. Nem interessa. O que os clientes fiéis valorizam são soluções que, mais uma vez, lhes sejam úteis, tenham valor prático e ainda por cima lhes tornem o mundo mais simples e mais divertido.

Nesse mundo hoje as soluções parecidas ou gémeas não oferecem reflexão profunda, muito menos crítica. Apenas alguma curiosidade. Mas como se prova nesta guerra Facebook vs. Snapchat, há também demasiadas apps, muito pouco tempo e muito para fazer com ele. Se no caminho o líder for grande o suficiente, não precisa ter as melhores ideias, basta que satisfaça as necessidades.

Sem dúvida também nas redes sociais este é um mundo onde os Golias gigantes podem ser desafiados por geniais e pequenos Davids, mas será necessário realmente um golpe de funda muito certeiro e mortal para abater qualquer um dos gigantes que hoje desenham o duopólio a que assistimos de Google e Facebook.

O tamanho, esse, ainda conta muito. Pelos vistos bem mais que a originalidade. Não pode nunca é o líder acomodar-se ou menosprezar e ignorar o desafiador. De permeio nesta luta de titãs, a feroz concorrência faz avançar a inovação. Ganham os clientes. Pelo menos enquanto houver Davids a acreditar que boas ideias e pensar diferente podem deitar abaixo o incumbente.