Numa altura em que estamos cada vez mais isolados e fechados em casa, consequência direta da pandemia que vivemos, o contacto através da internet tornou-se diário e essencial. Passamos a comunicar ainda mais através de ecrãs, aplicações e redes sociais. O teletrabalho tornou-se rotina e a telescola é, cada vez mais, a nova realidade.

Neste cenário, altamente tecnológico, o cibercrime ganha todos os dias mais espaço para atuar e os casos de partilha online de conteúdos íntimos não consentidos estão a aumentar.

“Nós recebemos diariamente mensagens de vítimas. O que mais me preocupou foi mesmo as idades porque eram quase todas menores de idade", conta Inês Marinho, uma das fundadoras do #MovimentoNãoPartilhes.

Os conteúdos partilhados são variados e vão desde vídeos íntimos gravados no contexto de uma relação amorosa, até fotografias tiradas em espaços públicos, como uma praia, um centro comercial ou num ginásio. 

O consentimento não existe e todo o conteúdo é divulgado de forma ilegal. Os grupos atuam em plataformas de mensagens não rastreadas como o Telegram, mas depois navegam por inúmeras páginas e, muitas das vezes, chegam mesmo a sites de pornografia.

“Estamos a falar de vários crimes aqui em questão que em cúmulo jurídico poderão levar a penas de prisão consideráveis. Desde devassa da vida privada, até à divulgação não consensual de imagens e vídeos”, explica o advogado Miguel da Costa Vieira.

As vítimas falam em impunidade, machismo e não têm dúvidas de que este é um mundo ainda “desconhecido” da maioria dos portugueses e pouco vigiado pelas autoridades competentes.​

“Nós somos ensinadas a ser conservadoras, ensinadas a que não podemos usar uma saia mais curta, ou uns calções mais curtos. Portanto, ter a minha intimidade, o meu corpo, exposto na internet numa forma que eu nunca quis foi um golpe muito duro”, conta Núria Silva, vítima deste tipo de crimes, em entrevista à TVI.

Márcia Sobral