Há um tipo de coronavírus que está a afetar suínos que pode ser transmissível a outros animais e mesmo a humanos. O vírus, denominado SADS-CoV, surgiu na China e está a afetar porcos desde 2016, mas, na última semana, investigadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram uma estirpe do vírus que pode infetar humanos.

De acordo com o estudo, divulgado no último dia 12 de outubro, no site Proceedings of the National Academy of the United States of America,  o vírus, cujos sintomas se caraterizam por violentos distúrbios gastrointestinais, como vómitos e diarreia, e pode ser mortal em leitões, pode ser replicado de forma eficiente em células do fígado e do intestino de humanos, mas também em células presentes nas vias aéreas.

Não há casos reportados em humanos, por isso, são ainda desconhecidos os efeitos da doença nas pessoas.

Até agora, sabe-se que se trata de um alfacoronavírus, da mesma família que o SARS-CoV-2, que causa problemas respiratórios. A diarreia e os vómitos são os sintomas mais frequentes nos suínos, afetando de forma mais violenta as crias do que os animais adultos. Será mesmo responsável pela morte de 90% dos leitões infetados.

De acordo com os cientistas norte-americanos, a maior probabilidade de o vírus passar dos animais para os humanos é através do contacto, pelo que os criadores e trabalhadores de suinicultura correm maiores riscos.

Enquanto muitos investigadores se concentram no potencial emergente dos betacoronavírus como SARS e MERS, os alfacoronavírus podem ser igualmente preocupantes para a saúde humana”, afirmou Ralph Baric, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Global da Universidade da Carolina do Norte.

Apesar de não haver casos registrados até o momento, os especialistas temem que exista a possibilidade do surgimento de uma nova pandemia, conforme aponta o estudo de Caitlin Edwards, especialista da Universidade da Carolina do Norte.

A investigação de Caitlin Edwards testou vários tipos de células, infetando-as com uma forma sintética do SADS-CoV para perceber como se comportariam. Os resultados apontam que uma grande quantidade de células de mamíferos, incluindo humanos, são suscetíveis à infeção. Células encontradas sobretudo nos tecidos dos pulmões e dos intestinos humanos.

É impossível prever se este vírus poderia emergir e infetar populações humanas. No entanto, a ampla gama de hospedeiros do SADS-CoV, juntamente com a capacidade de se replicar no pulmão humano primário e em células entéricas, demonstra risco potencial para eventos futuros de emergência em populações humanas e animais”, afirma Caitlin Edwards, citada por vários meios de comunicação internacionais.

A especialista considera que a imunidade de grupo pode não ser uma boa estratégia para debelar este vírus, uma vez que não existe ainda uma vacina. Por isso, os cientistas apostam antes na cura em caso da infeção e estão a estudar a eficácia de uma possível utilização do remdesivir, usado para combater todos os coronavírus conhecidos, incluindo o SARS-CoV2.

Manuela Micael