A Samsung Electronics revelou, esta segunda-feira, que foram os defeitos nas baterias - produzidas por dois fabricantes diferentes - que provocaram os perigosos incêndios no seu modelo de telemóvel Galaxy Note 7.

Em comunicado citado pela Reuters, a empresa afirma que investigações internas e independentes "concluíram que as baterias foram a causa dos incidentes com o Note 7", uma vez que tinham defeitos de fabrico diferentes que causaram o curto-circuito. 

A probabilidade de que dois fornecedores diferentes tivessem problemas com o mesmo telemóvel é uma probabilidade extremamente baixa e mostra que atingimos um ponto de inflexão na tecnologia de baterias de smartphones", afirmou Patrick Moorhead, presidente da Moor Insights & Strategy.

A Samsung não revelou os nomes das empresas que forneceram as baterias, mas estas tinham sido identificadas anteriormente como a Samsung SDI Co Ltd e China Amperex Technology Ltd (ATL). A SDI já afirmou que vai investir 120 milhões de euros para aumentar a segurança dos produtos e espera continuar a fornecer baterias para a Samsung. Já a ATL recusa-se a comentar o caso.

No mesmo comunicado, a Samsung afirma que assume todas as responsabilidades nos problemas com o Galaxy Note 7 e garante que não vai processar os fornecedores.

A situação atual não é muito diferente da que detetamos inicialmente, quando apontamos o dedo à Samsung por defeito nas baterias", afirmou Park Chul-wan, ex-diretor do Centro de Baterias Avançadas no Instituto de Tecnologia e Eletrónica da Coreia.

A Samsung já tomou medidas para prevenir que este tipo de situações volte a acontecer, entre as quais, um sistema de oito-pontos de verificação de baterias.

O responsável da divisão de telemóveis, Koh Dong-jin explicou que a publicação do relatório foi motivada pela necessidade de a empresa “recuperar a confiança” dos consumidores depois da perda de cerca de 6,1 biliões de won (cerca de 4.863 milhões de euros).

Em Portugal, a TVI contatou, a Meo, Nos e Vodafone para saber, afinal, o que aconteceu ao Galaxy Note 7. As três operadoras confirmam que os equipamentos foram recolhido mas não quiseram revelar de quantos equipamentos se tratou. 

Fonte oficial da Vodafone disse que “todas as unidades do Samsung Galaxy Note 7 disponibilizadas pela Vodafone Portugal foram recolhidas e devolvidas à Samsung. O modelo não voltou a ser comercializado e desconhecemos os planos do fabricante para uma reedição deste equipamento.”

Sem confirmação oficial tudo parece indicar que o incidente terá causado a morte prematura do Galaxy Note 7, que custou milhões à companhia sul-coreana. A Samsung suspendeu vendas do smartphone Galaxy Note 7 no início de setembro de 2016. Em Portugal, o equipamento ainda não estava disponível para venda, mas iria chegar às lojas a partir de dia 9 desse mês. Todos os equipamentos disponibilizados, até então, foram-no em pré-venda.

Andreia Miranda / (Atualizada às 13:09) com ALM