Três mulheres ficaram cegas após um tratamento com células estaminais numa clínica dedicada a este tipo de procedimentos. Os casos aconteceram na Flórida, Estados Unidos, e a intervenção usada ainda não tinha sido testada com segurança em seres humanos. 

Segundo o jornal britânico The Guardian, George Daley, médico e diretor da Faculdade de Medicina de Harvard, considerou que os incidentes são a prova da forma “como algumas terapias com células estaminais estão a ser erroneamente utilizadas”. Estas afirmações estão expostas num trabalho da publicação científica New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas na área.

Uma das mulheres ficou totalmente cega e as outras duas estão “legalmente cegas”. Segundo o especialista em oftalmologia, Thomas Albini, da Universidade de Miami, cuja equipa observou as pacientes envolvidas, não parece possível reverter a cegueira. “Estas mulheres tinham uma visão funcional antes do procedimento e, no dia seguinte, estavam cegas”, explicou.

Os médicos querem agora alertar as pessoas para o perigo que estas clínicas, que oferecem tratamentos com células estaminais, representam. 

Aa mulheres têm entre 70 a 80 anos e pagaram cinco mil dólares (quatro mil e setecentos euros), em 2015, para se submeterem ao tratamento, para um problema de degeneração macular. Este problema, que afeta parte da retina, é responsável por grande parte da perda de visão de pessoas acima dos 50 anos.

A clínica, denominada US Stem Cell, Inc, fazia parte de uma base federal norte-americana como estando a desenvolver um estudo sobre degeneração macular. Mais tarde, a instituição retirou-se dessa base de dados. Thomas Albini explicou que nos documentos de consentimento assinado por uma das pacientes, para a intervenção, apenas se referia um procedimento médico e não “um estudo”.

Todas as mulheres foram injetadas, nos dois olhos, com uma preparação de células derivada do seu próprio tecido gordo.

É alarmante para nós, enquanto clínicos, que alguém faça isto a ambos os olhos, ao mesmo tempo”, afirmou Albini acrescentando que todas as pacientes sofreram "descolamento da retina".

A divulgação deste relatório visa alertar as pessoas para o problema crescente da oferta deste tipo de tratamentos, visando o lucro e fora dos ambientes adequados de estudo e investigação. George Daley, de Harvard questiona mesmo a ética profissional e legal de quem pratica estes procedimentos.

Na realidade, este médico explica que há registo de um caso de sucesso no tratamento de degeneração macular, no Japão, durante “um estudo sério e prudente”, mas com outra fórmula. Recorrendo a células estaminais da pele da paciente, conseguiram desenvolver tecido do olho que foi, depois, transplantado. Um ano depois, a mulher recuperou totalmente.
 

Patrícia Pires