O diretor de Inovação da Schneider Electrics defendeu que a transição energética será conduzida pelos consumidores, que querem acesso a energia ‘verde', descentralizada e a um preço acessível.

Em entrevista à agência Lusa, à margem da participação na Web Summit, Emmanuel Lagarrigue afirmou que, para uma verdadeira transição energética, não basta instituir a substituição de energia produzida a partir de combustíveis fósseis pela de fontes renováveis, mas sim desenvolver tecnologia que permita aos consumidores um acesso simples a energia ‘verde’.

A verdadeira mudança virá dos consumidores, porque nós só queremos ter acesso a um tipo de energia melhor, uma energia mais verde, mais barata, porque, em muitos casos, energias renováveis – até produzidas a partir do telhado da sua própria casa ou do seu negócio – serão mais baratas do que ir buscar energia à rede e, muitas vezes, mais resilientes”, apontou o diretor de inovação (‘chief innovation officer’) do grupo francês de produtos e serviços para distribuição elétrica e automação.

O responsável disse que se tem assistido ao surgimento de ideias que vão permitir acelerar a transição energética, no sentido de se conseguir produzir energia “cada vez mais descentralizada” e criar tecnologia “relevante para tudo o que esteja relacionado com tornar as coisas simples em torno da energia renovável, das baterias, da adoção de veículos elétricos”, por exemplo.

Outro fator que será decisivo para impulsionar a transição energética será, na ótica de Emmanuel Lagarrigue, o “preço de tornar as coisas simples para que se possa alcançar um mundo de energia descentralizada e descarbonizada”.

A multinacional francesa investe anualmente 5% das suas receitas totais em investigação e desenvolvimento de novas tecnologias, o que, juntamente com as suas sociedades de capital de investimento no setor elétrico, permite-lhe dispor de cerca de 500 milhões de euros para inovação.

A participação na edição deste ano da Web Summit tinha como objetivo o estabelecer parcerias com ‘startup’ relacionadas com tecnologia e energia ‘limpa’, bem como com empresas com ideias inovadoras em termos de tecnologia, ‘software’ e modelos de negócio para diversas vertentes de energia (veículo elétrico, casas inteligentes, entre outros).

A equipa da Schneider irá agora analisar as informações recolhidas durante a cimeira tecnológica, para depois tomar decisões quando a projetos de investimento na área da sustentabilidade, não descartando a hipótese de parcerias futuras com empresas portuguesas.

Para fazer estes investimentos, para fazer a transição acontecer – e, sim, o trabalho vai ser mais elétrico, mais descentralizado, mais digital, o que é bom para nós [Scheinder] – temos, também, o dever de ajudar a criar um mundo melhor e desenvolver novas tecnologias e ajudar os empreendedores que estão a criar tecnologia que nós não somos capazes de criar, para ajudá-los a crescer e expandir os seus negócios”,

Atualmente, a Schneider Electrics tem estado a olhar com interesse para projetos de micro-rede, que são sistemas de distribuição de eletricidade que podem ser operados de forma controlada e coordenada, conectados à rede de energia principal ou isoladamente.

“Num mundo onde estamos todos a produzir a nossa energia e a carregar e descarregar energia da rede a todo o momento de uma forma bastante previsível, é necessário recorrer a muito ‘software’ e inteligência artificial, para manter o equilíbrio do sistema e evitar um apagão”, explicou o responsável, que acredita ser preciso ainda desenvolver muita tecnologia “para todo esse novo mundo da eletricidade”, com destaque para a área da cibersegurança.

A Web Summit é considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo e realizou-se este ano totalmente 'online' com um público estimado de 100 mil pessoas.

/ HCL