A desinformação relacionada com as alterações climáticas está a aumentar “substancialmente” no Facebook, de acordo com um estudo publicado esta quinta-feira.

A pesquisa, levada a cabo pelo observatório independente The Real Facebook Oversight Group e pela ONG ambientalista Stop Funding Heat, analisou 818 mil publicações de 195 páginas, que somaram um total de 1,36 milhões de visualizações diárias.

Recorrendo à ferramenta do Facebook CrowdTangle, o estudo verificou que apenas 3,6% das publicações analisadas tinham sido avaliadas por grupos de fact-checking.

O Facebook não é o único responsável pelo problema, mas está definitivamente a amplificá-lo e não faz nada para o combater”, disse Sean Buchan, da Stop Funding Heat, citado pelo The Hill.

A análise constatou, também, que as interações neste tipo de publicações subiram 76,7% no ano passado.

Se continuam a aumentar a este ritmo, pode causar danos significativos no mundo real”, completou Buchan.

O Facebook respondeu em comunicado, citado pelo The Hill, alegando que a metodologia usada na realização do estudo não é confiável.

O relatório recorre a números inventados e metodologia falível para sugerir que estes grupos espalham desinformação, quando, na realidade, são apenas publicações com as quais o grupo não concorda politicamente”, defende o Facebook.

Este estudo surge uma semana depois de outro relatório, do Center for Countering Digital Hate, que aponta que apenas dez sites, a maioria ligados aos conservadores americanos, são responsáveis por 69% das publicações enganosas sobre as alterações climáticas.

O problema é exacerbado pela desigualdade na atribuição de verbas para fazer face a este problema. De acordo com Frances Haugen, a denunciante do Facebook que esteve recentemente na Web Summit, 87% do dinheiro investido a combater a desinformação vai para conteúdos em inglês, idioma nativo de apenas 9% dos seus utilizadores.

É uma percentagem bastante alta, significa que muitos utilizadores são deixados de fora. Há populações inteiras com as quais o Facebook lucra sem cuidar delas”, afirma Buchan, citado pelo The Guardian.

Pedro Falardo