A insuficiência respiratória é uma das consequências mais graves da infeção por Covid-19 e, muitas vezes, contribui para um fim mais trágico. No entanto, por razões que pecam por falta de explicação, isto só atinge cerca de 10% dos infetados. 

Assim, a questão que se coloca é: porque é que há pessoas com sintomas leves e outras com sintomas graves?

Um estudo europeu que teve por base 1.980 infetados com problemas de insuficiência respiratória – em sete epicentros de Espanha e Itália (Milão, Monza, Madrid, São Sebastião e Barcelona) – decidiu analisar o genoma e o ADN de cada um destes pacientes e concluiu que o tipo de sangue pode influenciar a gravidade dos sintomas.

De acordo com a investigação, divulgada na medRxiv e que aguarda ainda uma revisão científica, os doentes com sangue tipo A têm 50% de probabilidade de receber oxigénio ou de estarem ligados a um ventilador.

Aparentemente, o coronavírus liga-se a células que produzem uma proteína chamada ACE2, que se encontra nas células epiteliais de vários órgãos, e tem como objetivo entrar nas membranas do nosso organismo.

Claro que a idade e o facto de se ter outras patologias associadas são fatores determinantes para uma evolução mais grave do SARS-CoV-2, mas não são os únicos. Aquilo que os geneticistas pretendem é prever a força dos sintomas com base num teste de ADN, ou seja, querem antecipar aqueles doentes que muito provavelmente vão precisar de um tratamento mais agressivo.

Esta avaliação do tipo sanguíneo dos doentes não é novidade. Um grupo de investigadores chineses já tinham realizado a mesma análise a doentes infetados e também concluíram que aqueles que pertenciam ao grupo sanguíneo A tinham maior probabilidade de desenvolver um caso sério de Covid-19. Mas, por enquanto, ninguém consegue explicar o porquê.

Cláudia Évora