Jennifer, de 33 anos, e Drew Gobrecht, de 32, foram pais no passado mês de novembro de Benjamin Thomas Gobrecht. Benjamin nasceu de cesariana, depois de um tratamento de fertilidade que consistiu em transplantar na mãe o útero de uma dadora morta: Jennifer nasceu sem útero, devido a uma síndrome rara chamada Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, ou MRKH.  

Para os pais, o nascimento de Benjamin foi um "milagre": "O Benjamin significa tanto, não apenas para o Drew e para mim, mas para tantos outros, e esperamos que ele possa inspirar outros casais a tentar o que tentámos, porque funcionou e ele está aqui", disse Jennifer, citada pela CNN. 

Benjamin foi apenas o segundo bebé a nascer nos EUA fruto de um transplante de útero de uma dadora morta. A mãe inscreveu-se num ensaio da Penn Medicine, universidade de medicina de Filadélfia, depois de saber do estudo através de grupos dedicados à infertilidade no Facebook.

 

O casal acabou por ser selecionado e teve de esperar por um útero compatível com Jennifer, que depois foi transplantada numa cirurgia com duração de 10 horas. Após o transplante, a norte-americana foi obrigada a tomar medicação para impedir que o órgão fosse rejeitado  - por norma, o útero é removido depois de a mulher dar à luz e a medicação deixa de ser necessária. 

Seis meses depois do transplante, foi transferido para o útero de Jennifer um embrião - resultado de uma fertilização in vitro, em que o óvulo da mãe é fecundado com esperma do pai. Em dez dias, o casal descobriu que tinha engravidado.

Nunca pensámos que fosse uma opção para nós", disse Drew à CNN.

A mãe da dadora do útero, que pediu anonimato, divulgou um comunicado através da universidade para sublinhar que a família está "extremamente orgulhosa" por fazer parte do caminho de Jennifer.  

A minha filha era a melhor mãe que eu conheci; nada era mais importante para ela do que os filhos. Que bonito e apropriado legado para ela, ajudar a dar o dom da maternidade a outra mulher", lê-se na nota. "Os nossos corações e orações vão para os que receberam os órgãos da minha filha e as suas famílias".

Até ao momento, e segundo dados da Penn Medicine, fizeram-se em todo o mundo apenas 70 transplantes de útero. Em 2017, nasceu no Brasil a primeira bebé fruto de um transplante de útero de uma dadora morta. Até então, apenas tinham sido documentados transplantes de dadoras vivas.

Nos Estados Unidos, antes de Benjamin, só uma criança tinha nascido após transplante de útero de uma dadora morta: a menina nasceu em junho de 2019 por cesariana numa clinica de Cleveland, Estado de Ohio. Todos os bebés que nasceram de úteros transplantados foram retirados por cesariana. 

A universidade de Penn continua a aceitar participantes no ensaio clínico para gravidezes após transplante uterino. 

Não quer dizer que não tenha riscos, mas os resultados têm sido bons. Conseguimos o objetivo de fazer nascer bebés", disse Kathleen O'Neill, professora na universidade de Filadélfia, que foi também a ginecologista que acompanhou Jennifer durante a gravidez.