Um novo tratamento para a Covid-19, com base na proteína interferão beta, apresenta-se como uma "importante descoberta" para os doentes hospitalizados, segundo a empresa inglesa responsável pelo ensaio clínico.

Esta proteína, que é produzida pelo organismo na presença de uma infeção viral, reduziu em 79% o número de pacientes que pudessem vir a necessitar de cuidados intensivos, como ventilação.

As conclusões são, contudo, preliminares, não foram totalmente disponibilizadas e carecem de revisão pela comunidade científica.

De acordo com o ensaio da Synairgen, citado pela BBC, a proteína é inalada, com a substância a ser absorvida diretamente nos pulmões, de modo a estimular uma resposta imunitária.

Os testes apontaram, ainda, para uma redução "muito significativa" de falta de ar nos pacientes envolvidos no estudo e reduziram, também, em um terço o tempo de internamento, concretamente de nove para seis dias.

Participaram no ensaio clínico 101 voluntários que deram entrada em nove hospitais do Reino Unido com infeção pelo novo coronavírus, o SARS-CoV-2. Só metade recebeu o tratamento com o "interferão beta", a outra metade recebeu uma substância inativa, como acontece sempre nos estudos clínicos (placebo).

O responsável pelo ensaio, Tom Wilkinson, disse à BBC que acredita que o novo tratamento pode "mudar o jogo" caso os resultados sejam confirmados em ensaios clínicos de maior dimensão.

O presente estudo, admitiu o cientista, foi "relativamente pequeno" mas os resultados foram "extraordinariamente fortes".

Os resultados vão, agora, ser apresentados à comunidade científica e às entidades reguladoras, o que acontecerá "nos próximos dias".

Catarina Machado