Investigadores britânicos criaram a primeira máquina capaz de realizar experiências científicas e fazer descobertas sem intervenção humana, indica um estudo publicado, esta sexta-feira, pela revista «Science».



O robô chama-se «Adão» e foi desenhado e desenvolvido por equipas de cientistas das Universidades de Aberystwyth, do País de Gales, e Cambridge, para executar automaticamente várias etapas de investigações.



Graças à inteligência artificial, a máquina fez descobertas a partir da recolha e classificação de resultados de experiências que realizou.



De acordo com um dos criadores, Ross King, da universidade galesa, «Adão» trabalhou e chegou a conclusões, depois verificadas manualmente, sobre o genoma da levedura, um organismo usado pelos cientistas para estudar sistemas biológicos mais complexos.



Nessas experiências, a máquina colocou a hipótese de que a levedura codifica enzimas específicas que catalizam reacções bioquímicas da substância, criou experiências para a demonstrar, realizou testes, interpretou resultados e repetiu o ciclo.



«Devido à grande complexidade dos organismos biológicos, é importante registar com a maior minúcia os pormenores das experiências biológicas», afirmou, acrescentando que «é um trabalho difícil e penoso para cientistas humanos, mas fácil para um robô».



A «Adão» deve juntar-se em breve outro robô, «Eva», programado para trabalhar com doenças infecciosas, como a malária.



Ross King antevê, «em última instância», a possibilidade de equipas conjuntas de robôs e humanos trabalharem futuramente lado a lado nos laboratórios.



De acordo com outro estudo da mesma área, publicado na «Science», os cientistas Hod Lipson e Michael Schmidt, da Universidade de Cornell (Nova Iorque), criaram um robô que usa algoritmos para determinar leis físicas básicas mediante a observação de sistemas simples, como o de um duplo pêndulo.



Sem instruções sobre as leis da física ou geometria, o algoritmo foi capaz de determinar no programa informático que as oscilações e outros movimentos são resultado de um processo específico e básico.



Se dispusessem de um computador com esse algoritmo, considera Schmidt, cientistas como Newton ou Kepler levariam poucas horas a chegar às leis físicas que determinam a queda de uma maçã ou o movimento dos planetas.
Redação / ASC