O curso de Engenharia de Jogos Digitais do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) criou já três jogos para a GNR, a Câmara de Barcelos e a organização Oikos.

O director da licenciatura, Nuno Rodrigues, adiantou à Lusa que o centro de investigação do curso tem recebido outras solicitações de criação de jogos formativos, promocionais ou didácticos feitos por empresas e instituições, a que será dada resposta a partir de Setembro, quando estiver montado o laboratório de desenvolvimento de jogos, criado em parceria com a Microsoft.

O IPCA, sedeado em Barcelos, desenvolveu ainda dois jogos pedagógicos digitais que foram usados, há dias, por três mil alunos do ensino básico, em computadores Magalhães, durante o festival informático «Barcelos Party 2010».

Nuno Rodrigues sublinha que o curso, que abriu no presente ano lectivo, integra três vertentes: a de engenharia e de software, para desenvolvimento e programação do motor do jogo, a de design gráfico, que inclui o design do jogo e o desenvolvimento de personagens, e a de engenharia eléctrica.

«Os jogos exigem interfaces pelo que há que recorrer à engenharia electrónica», frisou, realçando que implicam todo o tipo de dispositivos de interface, como guitarras, baterias e microfones.

O objectivo é fornecer competências aos alunos que lhes permitam vir a «criar empresas e ter algo a dizer no mercado de jogos digitais a nível internacional».

«Com os meios técnicos de que dispomos e com o apoio da Microsoft, será possível que Portugal venha a dar mais alguns passos no sector e usufrua um pouco do mercado global dos jogos digitais», frisou o responsável, sublinhando que o país tem já alguns bons exemplos empresariais na área.

O projecto assenta na criação de um centro de investigação, através do protocolo com a Microsoft, onde serão ensaiadas «novas formas de jogar novos interfaces e novos designs em jogos».

O laboratório de jogos arranca em Setembro, já equipado com computadores, servidores, consolas de desenvolvimento de jogos, interfaces e mecanismos de electrónica e uma biblioteca especializada.

A directora do Departamento de Design, Paula Tavares, explicou que a contribuição da sua área no desenvolvimento de jogos passa por «fazer com que os alunos conheçam a linguagem do design e de como se desenvolve uma personagem ou seja, dominem o design de jogos».

Para João Vilaça, director do curso de Engenharia Eléctrica, esta área científica tem a particularidade de poder ajudar no desenvolvimento de interfaces para jogos, envolvendo, por exemplo, «tudo o que seja capturar o movimento e a acção do jogador, incorporando-os, depois, nos movimentos do próprio jogo».
Redação / VG