Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro transformou lamas vermelhas, que estiveram na origem de inúmeros acidentes ambientais, em esferas porosas, capazes de limpar metais tóxicos em águas poluídas, anunciou esta sexta-feira fonte académica.

As lamas vermelhas resultam da produção de alumina, a matéria-prima principal na produção de alumínio, e “constituem um resíduo industrial altamente nocivo para o ambiente e, consequentemente, para a saúde humana”.

Na Universidade de Aveiro (UA) uma equipa de investigadores conseguiu transformar as lamas em esferas porosas capazes de limpar metais tóxicos de águas poluídas, num trabalho que mereceu a capa na edição de março da revista científica dedicada à área dos materiais “Materials Today”

Rui Novais, João Carvalheiras, Maria Seabra, Robert Pullar e João Labrincha, todos investigadores da UA do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica e da Unidade de Investigação CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro, integram a equipa responsável pela transformação das lamas tóxicas.

Pela primeira vez, as lamas vermelhas foram utilizadas como precursor para a produção de esferas geopoliméricas, altamente porosas, utilizando um método simples e sustentável, o que pode permitir uma fácil transição para um contexto industrial”, explicou Rui Novais.

As esferas obtidas, com cerca de três milímetros de diâmetro, “poderão ser utilizadas em aplicações industriais de elevado valor acrescentado”, como o tratamento de águas residuais e produção de biogás, devido à respetiva capacidade adsorvente de metais pesados ou corantes e regulação do ph da água.

Esta estratégia inovadora poderá permitir a valorização de quantidades significativas de lamas vermelhas, mitigando assim o impacto ambiental associado à produção de alumínio”, conclui Rui Novais.

A reciclagem ou a reutilização das lamas vermelhas, geradas durante a produção de alumina, que é depois parcialmente transformada em alumínio, sempre foi uma tarefa problemática.

Estima-se que, por todo o mundo, a indústria já produziu cerca de quatro mil milhões de toneladas de lamas vermelhas e, neste momento, segundo Rui Novais, “apenas cerca de 2,7 por cento da produção anual de lamas vermelhas é reutilizada.