O SexLab, laboratório de sexualidade da Universidade de Aveiro, vai iniciar um estudo experimental da disfunção eréctil de causas psicológicas, submetendo os voluntários à visualização de filmes sexuais, anunciou esta quinta-feira a Universidade.

Segundo disse à Lusa Pedro Nobre, coordenador do estudo, uma das grandes vantagens que vai proporcionar, é de, pela primeira vez, permitir validar teses que se têm desenvolvido ao nível académico sobre o problema, através de uma comunidade clínica.

O estudo do laboratório de investigação em sexualidade da Universidade de Aveiro tem como objectivo principal comparar as respostas sexuais, quer genitais, quer psicológicas, de homens com disfunção eréctil com homens sem dificuldades sexuais, procurando perceber quais os factores psicológicos que ajudam a explicar as diferenças entre estes dois grupos.

O novo estudo experimental sobre as razões que explicam a resposta sexual masculina, vai comparar um grupo de homens com dificuldades ao nível da erecção, com um grupo de homens sem dificuldades sexuais.

Este será o primeiro estudo em Portugal a avaliar a resposta sexual fisiológica em laboratório com recurso a voluntários com disfunção sexual e contará com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

«O estudo vai avaliar um conjunto de características psicológicas como a personalidade, as crenças sexuais, o afecto geral e a tendência para a excitação e inibição sexual e investigar o papel destes traços individuais na resposta sexual perante o visionamento de filmes com conteúdo sexual explícito», descreve Pedro Nobre, psicólogo clínico, especialista na área da sexualidade e coordenador do SexLab.

A disfunção eréctil de causas orgânicas não interessa a este estudo, pelo que é feita uma triagem aos voluntários, excluindo os que sofrem de problemas como a diabetes e outros, ou que estão a tomar medicamentos que podem ter efeitos secundários conhecidos a esse nível, conforme explicou à Lusa.

Isso porque a investigação visa testar, através do uso de métodos experimentais, um conjunto de hipóteses teóricas que têm vindo a ser propostas para explicar a disfunção eréctil de causa psicológica, ou seja os motivos que explicam o facto de haver homens com dificuldades de erecção que não são causadas por aspectos físicos.

«Este trabalho pode ter implicações importantes quer ao nível da prevenção, quer ao nível da intervenção clínica, uma vez que pode ajudar a explicar os factores de risco psicológico para o desenvolvimento de dificuldades sexuais masculinas», antevê Pedro Nobre.

O projecto apresenta como inovação o facto de ser o primeiro a nível mundial a estudar o foco da atenção durante a exposição a filmes sexuais em voluntários com dificuldades sexuais, a quem é garantida privacidade e confidencialidade, recorrendo para isso a um software sofisticado denominado iView X.

«Esta nova técnica permitirá assim testar também hipóteses teóricas sobre o papel do foco da atenção na resposta sexual, clarificando as diferenças entre homens com disfunção eréctil e homens sexualmente saudáveis», afirma o coordenador da investigação.

Para a sua realização, o laboratório vai recorrer à colaboração de estudantes universitários, entre os 18 e os 40 anos, que apresentem dificuldades de erecção sem causa médica, bem como de estudantes que não tenham qualquer tipo de dificuldade sexual, que receberão uma recompensa no valor de 30 euros.
Redação / PP