A vacina contra a covid-19 da Janssen, a subsidiária europeia da gigante farmacêutica Johnson and Johnson, foi aprovada para uso na União Europeia esta quinta-feira, após o escrutínio da Agência Europeia do Medicamento.

De acordo com a documentação disponível, esta vacina unidose atua ao preparar o corpo para se defender contra a covid-19 e é composta por um outro vírus - o chamado adenovírus, também usado na Sputnik V - que foi modificado para conter o gene responsável pela produção da proteína spike SARS-CoV-2.

O adenovírus passa o gene SARS-CoV-2 às células da pessoa vacinada que o usam para produzir a proteína spike. O sistema imunológico da pessoa reconhecerá a proteína como estranha, produzirá anticorpos e ativará as células T (glóbulos brancos) para neutralizá-la. 

Após a administração da dose, e se a pessoa entrar em contato com o novo coronavírus, o sistema imunológico reconhecerá a proteína e estará pronto para defender o corpo contra os riscos virais associados.

 

No entanto, a vacina da Janssen não é imune a críticas e, após a sua aprovação pelo regulador de saúde dos Estados Unidos (FDA), tem estado sob fogo por reproduzir linhas celulares de um feto abortado em 1985.

Vários bispos católicos em entrevista à comunicação social norte-americana descreveram a vacina da Johnson e Johnson como sendo “moralmente comprometida”, salientando que vacinas como a da Pfizer são preferíveis a uma ligada a uma interrupção cirúrgica da gravidez.

Por outro lado, a comissão dedicada à covid-19 apontada pelo Vaticano apelou às pessoas a tomarem qualquer vacina disponível, sublinhando a necessidade de proteção contra o vírus.

Sendo uma vacina extremamente distinta daquelas já disponíveis em Portugal, surge a necessidade de analisar as vantagens e desvantagens da toma desta vacina. De reforçar, contudo, que a própria aprovação do fármaco pela EMA e pela FDA são indicadores de que os prós ultrapassam largamente os contras.

Vantagens

Comecemos pela vantagem mais óbvia. A vacina da Janssen é de toma única, o que significa que, ao contrário do que acontece com a vacina da Pfizer e da AstraZeneca, apenas uma inoculação é necessária para proteger o sistema imunitário.

Por outro lado, a comunidade científica está preocupada sobre um certo ceticicismo da população relativamente à unidose. "As pessoas vão querer saber o porquê de esta vacina ser de apenas uma toma e o que é que isso significa para elas. Temo que isto cause mais questões do que confiança", disse Rupali Limaye, cientista que estuda o ceticismo em relação às vacinas da Universidade John Hopkins.

Ademais, exige uma menor capacidade de frio para o seu transporte e armazenamento, podendo ser conservada num frigorífico com temperaturas entre os dois e os oito graus, durante um período de três meses.

Por ter terminado os ensaios clínicos mais tarde, a vacina da Janssen é também a única no mercado que foi testada com as novas variantes do coronavírus em circulação comunitária.

Outra vantagem parte também da disponibilidade. De acordo com fontes do Governo, Portugal deverá receber 4,5 milhões de vacinas da Janssen ao longo de 2021. A primeira remessa - de 1,25 milhões de doses - deverá chegar na segunda metade de abril.

Desvantagens

Outra grande diferença que a vacina da subsidiária da Johnson and Johnson tem em relação com as disponíveis no espaço europeu é a eficácia contra casos moderados de covid-19. Uma inoculação com a da Janssen significa 66% de eficácia em casos sintomáticos, um número substancialmente inferior aos 97% da Pfizer.

Em casos graves, a vacina da Janssen tem 85% de eficácia.

Também de acordo com a literatura, foram reportados eventos de anafilaxia. “O tratamento médico adequado e supervisão devem estar prontamente disponíveis no caso de uma reação anafilática,após a administração da vacina”, afirma uma nota da EMA, recomendando uma observação atenta por pelo menos 15 minutos após a vacinação.

Esta reação adversa, tal como outras como náusea, fadiga, dores de músculos e cabeça, foi mais reportada pelas populações mais jovens testadas durante os ensaios clínicos.

A farmacêutica indica ainda que a vacina pode ser pouco eficaz nas populações imunocomprometidas, porque a eficácia e a segurança neste grupo ainda não foi testada.

Relativamente a este grupo, as guidelines do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças indicam que as pessoas imunocomprometidas podem ser sujeitas à vacinação, no entanto ressalvam que ainda não há dados suficientes para saber o timing ideal para a inoculação. 

Ainda assim, idealmente, esta população deve ser vacinada pelo menos duas semanas antes do início de terapias imunossupressoras.