A sonda Curiosity, que pousou esta segunda-feira em Marte, tem como missão começar a fazer a cartografia do sistema solar para que o Homem possa «um dia» habitar outros planetas, explicou à agência Lusa o cientista Carvalho Rodrigues.

O cientista, que ficou conhecido como «o pai» do primeiro satélite português, destaca que esta sonda é mais «uma extensão» do Homem, como são os computadores ou os telefones, que, neste caso, foi enviada para Marte.

«Esta extensão de nós está a fazer as primeiras cartas, a cartografia, os mapas. Era como os primeiros exploradores portugueses, que faziam os mapas que permitiram ir ao longo de África, ao longo das Américas, ao longo da Ásia, e fazer com que o planeta todo se unisse, porque os portugueses fizeram a descoberta de que havia só um oceano. Ao mandarmos estas sondas para outros planetas estamos a fazer a cartografia do sistema solar, para um dia habitar nele», disse Carvalho Rodrigues à Lusa.

O cientista sublinhou que a missão da sonda Curiosity «é um de vários passos» para a elaboração da cartografia de Marte, de outros planetas e do sistema solar.

«É um pouco como quando os portugueses iam ao longo da costa de África e um chegava ao cabo Bojador e depois outro dava a volta ao cabo da Boa Esperança e depois outro foi à Índia e outro ao Brasil e depois outro deu a volta ao mundo... É passo a passo conhecer o nosso sistema solar e por onde é que havemos de ir para o habitarmos um dia», voltou a ilustrar.

A sonda Curiosity aterrou hoje em Marte, pouco depois das 05:31 TMG (06:31 em Lisboa), anunciaram as equipas da agência espacial norte-americana, a NASA, em Pasadena,Califórnia, EUA.

O Curiosity deverá levar a cabo uma missão de dois anos em Marte. Alimentado por um gerador nuclear, tentará descobrir se o ambiente marciano foi propício ao desenvolvimento da vida microbiana.

Para tal, o robô possui numerosas ferramentas, entre as quais um mastro com câmaras de alta definição e um laser para estudar alvos até sete metros.

Outros instrumentos procurarão moléculas de metano, um gás frequentemente ligado à presença de vida, já detetada em Marte em várias ocasiões por uma sonda norte-americana em órbita. O robô poderá também furar o solo para fazer recolha de amostras e analisá-las.

A missão do Curiosity foi definida como «absolutamente crucial» para determinar se os terrestres estão sozinhos no universo, como Marte se transformou em planeta árido e preparar o eventual envio de seres humanos para o planeta vermelho.
Redação