O robô Curiosity enviou os primeiros sinais pouco antes de reentrar na atmosfera do planeta Marte e da aterragem em solo marciano prevista para as 05:31 TMG (06:31 em Lisboa), anunciaram as equipas da NASA na Califórnia.

«Nós recebemos sinais, parece estar a correr bem», declarou um membro da missão de controlo, no Jet Propulsion Laboratory (JPL) de Pasadena, no Estado norte-americano da Califórnia. Já chegaram inclusivamente algumas imagens de baixa resolução, que mostram a roda do robô e a sua sombra.

Este é o quarto robô que a NASA coloca em Marte, mas é o maior e o mais sofisticado de sempre. Os responsáveis pela missão estavam receosos com a aterragem, que era arriscada e ameaçava danificar o aparelho, mas por aí correu tudo bem. O Curiosity desceu suavemente e aterrou a uma velocidade de 0,6 metros por segundo. O momento foi saudado com uma enorme ovação no laboratório californiano.

O objetivo último do Curiosity é encontrar provas de que Marte tenha em algum momento suportado vida. Vai procurá-las na cratera Gale, onde aterrou e onde estudará as rochas que se em algum momento terão estado em contacto com água líquida. Não tem pressa. Estima-se que a missão dure dois anos.

Alimentado por um gerador nuclear, tentará descobrir se o ambiente marciano foi propício ao desenvolvimento da vida microbiana. Para tal, o robô possui numerosas ferramentas, entre as quais um mastro com câmaras de alta definição e um laser para estudar alvos até sete metros.

Outros instrumentos analisarão o ambiente para aí procurar moléculas de metano, um gás frequentemente ligado à presença de vida, já detetada em Marte em várias ocasiões por uma sonda norte-americana em órbita. O robot poderá também furar o solo para fazer recolha de amostras e analisá-las.

A missão do Curiosity foi definida como «absolutamente crucial» para determinar se os terrestres estão sozinhos no universo, como Marte se transformou em planeta árido e preparar o eventual envio de seres humanos para o planeta vermelho.

A aterragem em Marte do robô Curiosity é um «feito tecnológico sem precedentes», declarou esta segunda-feira o presidente Barack Obama. «A aterragem com sucesso do Curiosity - o laboratório mais sofisticado de sempre a aterrar noutro planeta - assinala um feito tecnológico sem precedentes, que será lembrado como um marco de orgulho nacional no futuro», disse Barack Obama em comunicado.

A Agência Espacial Norte-Americana investiu 2,5 mil milhões de dólares no Curiosity.
Redação / PO