O Museu de Israel, em Jerusalém, começou a colocar na internet os Manuscritos do Mar Morto, que contêm alguns dos mais antigos textos da humanidade.

O projecto de digitalização está a ser desenvolvido numa parceria do Museu com a Google, numa iniciativa que recupera os originais com mais de dois mil anos e tem um custo estimado de 3,5 milhões de dólares (cerca de 2,5 milhões de euros).

Redigidos em hebreu antigo e aramaico, cinco dos oito manuscritos foram já disponibilizados na internet pelo Museu, na aliança com a Google que o director da instituição de Telavive, James Schnneider, considerou um «casamento perfeito» entre a tecnologia e a história.

Fotografados página a página com uma câmara especial de alta resolução, os manuscritos foram depois processados e editados até a imagem repor a sua forma original. «Os internautas podem descobrir com precisão pormenores até agora difíceis de conseguir», destacou em comunicado a direcção do museu.

«Pormenores invisíveis a olho nu podem ser ampliados até 1.200 megapixels, ou seja, com uma resolução 200 vezes superior à de uma máquina fotográfica comum», explica o Museu.

«A Internet rompeu barreiras que havia entre as fontes de informação e as pessoas», disse o responsável pelo departamento de Investigação e Desenvolvimento da Google Israel, Yossi Matias, que destacou a importância de «universalizar» este tipo de conteúdos.

Para já, o sistema Google só traduz para inglês o manuscrito principal, atribuído a Isaías, mas está prevista também a sua tradução para outras línguas.

Os 900 manuscritos em pergaminho e papiro foram encontrados entre 1947 e 1956 nas grutas de Qumran, nas margens do Mar Morto, contêm fragmentos dos livros do Antigo Testamento, à excepção do Livro de Ester, assim como vários textos apócrifos e escrituras, constituindo uma das principais descobertas arqueológicas de todos os tempos.

Os documentos mais remotos remontam ao século III antes de Cristo e o mais recente ao ano 70.

Oito dos Manuscritos originais, sob a forma de rolo, encontram-se na posse do Museu de Israel, estando outros em poder da Autoridade de Antiguidades de Israel e de coleccionadores privados.

Os Manuscritos do Mar Morto estão disponíveis em http://dss.collections.imj.org.il/.
Redação / SM