Descobrir uma cidade sem guias turísticos, sem mapas, mas a jogar. Lembra um peddy paper, não é? Neste caso, um digital, com jogos feitos pelos locais, que sabem os lugares e as histórias mais secretas e/ou inusitadas que fazem parte da identidade, para além das atrações turísticas principais. A ideia tem três palavras, Secret City Trails (Caminhos Secretos nas Cidades) e duas mulheres fundadoras: Wendy van Leewen e Kristina Palovicova.

Criaram a empresa em Amsterdão, mas escolheram Lisboa para assentar arraiais depois da vinda à Web Summit, na edição do ano passado. Desde março que o poiso é a Startup Lisboa, onde a marca está encubada.

A equipa conta ainda com Gabriella e Johanna. O grupo de quatro holandesas e eslovacas dá a cara por um projeto que se quer colaborativo. Se estão em 15 cidades europeias e já em Singapura é porque encontraram pessoas com ideias que  desenvolveram jogos personalizados para aqueles lugares.

Uma maneira de os próprios habitantes promoverem o que há de melhor no seu bairro ou na sua cidade.

Até nos dizem que não têm um trabalho nada criativo no dia a dia e que isto os entusiasma a contribuírem para criar algo, ainda para mais de um sítio que lhes diz tanto como o seu próprio bairro, a sua própria cidade. Sentem-se orgulhosos”, diz Wendy.

Saem a ganhar em visibilidade, mas também monetariamente, com 50% das receitas do jogo que criaram. Qualquer pessoa pode desenvolver. É candidatar-se, há uma entrevista por Skype também e, passando a ideia, pôr mãos-à-obra.

Para além de Porto e Lisboa (paga-se por jogo e não por download, entre 15 € e 30€), a Secret City Trails já tem diversão garantida em mais 14 cidades: Amsterdão, Barcelona, Berlim, Bordéus, Bratislava, Colónia, Geneva, Londres, Roterdão, San Sebastian, The Hague, Viena e Singapura.

Têm o mundo a partir da capital portuguesa, que as conquistou pelo clima de empreendedorismo que sentiram na edição de 2017 da Web Summit, para além do clima, da comida e da boa atmosfera da cidade.

O que atrai cada vez mais empreendedores para Portugal?

O presidente da Startup Lisboa, Miguel Fontes, constata com entusiasmo que já não é só o clima e a gastronomia que atraem pessoas como Wendy, Johanna e Gabriella. "Temos de olhar para além disso. O sol não é novo, as praias não são novas, a comida não é nova, o património não é novo. O que hoje move toda a gente, no mundo, é o talento". E isso, defende com unhas e dentes, Portugal tem de sobra. 

Temos capacidade de produzir talento e de atrair talento, com uma boa rede de infraestruturas a começar pelas Universidades, ótimas escolas de gestão, engenharia, design... Andámos anos a desenvolver uma rede de investigação e de inovação de qualidade. Fala-se muito em pactos, mas nós não precisámos de criar nenhum para ficarmos alinhados, desde o nível institucional - Presidente da República, primeiro-ministro, câmara - ao empresarial, há uma agenda partilhada naturalmente, organicamente. A transformação digital é tão acelerada que tem um impacto em todas as indústrias".

A Web Summit vem, no fundo, consolidar essa estratégia. "É marketing territorial puro e duro para nós. Um ponto de partida, mas também um ponto de chegada. Três anos cá foi como uma prova de conceito e ficar cá mais dez anos permite-nos escalar. Estamos a ir para o mundo a sério e a trazer muito, muito investimento para o país".

Atualmente com 95 empresas incubadas, a Startup Lisboa já apoiou cerca de 400 desde que foi fundada, em 2012. As contas de Miguel Fontes apontam para que essas startups já tenham levantado, no seu conjunto, entre 100 a 120 milhões de euros e tenham criado, até agora, 2.000 postos de trabalho diretos. 

Sabe-se que há aquelas que não vingam, ficam pelo caminho, mas uma boa ideia pode traduzir-se numa grande história, com dividendos para os criadores e para a economia.