Mudanças de nome, whistleblowers e metaverso: o Facebook está no centro de um furacão mediático. Depois das duras críticas de Frances Haugen, a agora "Meta" respondeu: "Há sempre dois lados da história".

A ex-funcionária e whistleblower da rede social falou pela primeira vez num evento ao vivo, na segunda-feira, na Web Summit. Frances Haugen sugeriu que Mark Zuckerberg fosse afastado da liderança da empresa e criticou a estratégia do Facebook em apostar no Metaverso, em vez de utilizar os recursos na segurança das plataformas que já existem. 

Em resposta à TVI, o Facebook recusa as críticas da ex-funcionária, considerando-as uma "comparação ridícula e uma falsa escolha".

Não é como se uma empresa pudesse apenas desenvolver novas tecnologias ou investir em manter as pessoas seguras. Obviamente podemos e devemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo - e é o que estamos a fazer", afirma o porta-voz do Facebook.

Esta terça-feira, Nick Clegg, vice-presidente dos assuntos internacionais da Meta, subiu ao palco da Web Summit para explicar como a empresa de Mark Zuckerberg pretende colocar a Europa no centro dos planos para uma "inovação responsável".

Vamos investir em mais transparência e em mais regulamentação", assegurou Nick Clegg.

Em outubro, o Facebook anunciou que quer contratar, nos próximos cinco anos, 10 mil pessoas “altamente qualificadas” na União Europeia, de modo a poder construir aquilo que se denomina de “metaverso”. 

Segundo a empresa norte-americana, investir na Europa traz bastantes vantagens, como o acesso a um grande número de consumidores e de mão de obra qualificada.

Nick Clegg recusou que administração da Meta esteja a afastar-se dos problemas do "mundo real" e reiterou: "Claro que considerámos isso quando avançámos com o anúncio".

O metaverso não vai ser um projeto só do Mark Zuckerberg, vai ser muito mais colaborativo: um conjunto de ecossistemas", indicou o porta-voz, acrescentando que esta é "uma longa viagem".

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O que é o Metaverso? 

O metaverso é difícil de descrever porque ainda não existe. Não é um único produto, não é um jogo e não está a ser desenvolvido por uma empresa. Em vez disso, é semelhante a uma World Wide Web em versão 3D, onde negócios, ferramentas de informação e comunicação são imersivas.

Resumindo: é um mundo online onde os utilizadores podem comunicar, jogar e trabalhar em ambiente virtual. Em termos práticos, os jogos Fortnite e Roblox já podem ser considerados exemplos de “metaversos”, assim como a plataforma Second Life, ainda que em menor escala.

Mas este novo conceito de mundo virtual combina aspectos de várias tecnologias digitais, como videoconferência, criptomoedas, e-mail, realidade virtual, redes sociais e streaming ao vivo.

A forma exata como estas peças se vão encaixar ainda está a ser desenvolvida, mas os investidores (como Mark Zuckerberg) já estão interessados ​​no seu potencial comercial.

Rafaela Laja