* por David Marques



Ainda durante o jogo, Rio Ferdinand prestou homenagem a Tim Howard, de quem foi colega no Manchester United.


Desde o início da competição, a 12 de junho, os guarda-redes foram eleitos os melhores em campo em dez jogos, num total de 56 até ao desfecho dos oitavos de final. Um número significativamente superior quando comparado com a prova de há quatro anos, na África do Sul, onde os guardiões só foram distinguidos cinco vezes em 64 jogos.

Para isso, muito contribuíram as exibições de Guillermo Ochoa, pelo México, Keylor Navas, ao serviço da surpreendente Costa Rica, e de Tim Howard.

«A qualidade dos guarda-redes tem sido enorme», constata Quim em conversa com o Maisfutebol. O internacional português destaca Navas e Claudio Bravo (Chile) como os guarda-redes em melhor plano na competição. «Jogam em Espanha, mas não representam clubes de topo e são pouco conhecidos dos portugueses. E há ainda o guarda-redes da Argélia (Rais), que ninguém conhece e que foi uma boa surpresa.»


Ochoa manteve inviolável a baliza do México no jogo do grupo A contra o Brasil

Para o guarda-redes, 32 vezes internacional com a camisola de Portugal, o momento positivo que os jogadores da sua posição estão a viver no Brasil deve-se a uma mudança de paradigma da maioria das seleções na abordagem ao jogo. «Estão a praticar um futebol mais ofensivo e, por isso, os guarda-redes são postos à prova mais vezes.»

Os opostos atraem-se

Se os guarda-redes estão em maior evidência neste Mundial, também não é menos verdade que os jogadores de campo estão mais certeiros do que há quatro anos. É que em 56 jogos já se marcaram mais nove golos do que em toda a edição de 2010, ano em que a bola transpôs a linha de golo em 145 ocasiões, num Mundial que está a ser, até agora, o mais generoso em média de golos por jogo (2,75) desde Espanha, em 82, ano em que se registou uma média de 2,8 golos em cada partida.

Estarão então os jogadores a atirar mais vezes na direção da baliza? O Maisfutebol foi ao sítio oficial da FIFA tirar as dúvidas e apurou que, apesar de se rematar menos do que em 2010 (27,0 para 28,3 remates por jogo), os tiros são agora mais precisos. Ora, se há quatro anos apenas 37,7 por cento dos remates tinham como destino o perímetro da baliza, a taxa de precisão ronda agora os 60 por cento, o que indiciará que os guardiões são chamados a intervir mais vezes. 

«A realidade é que não temos visto equipas a jogar à defesa. A mentalidade mudou e os treinadores têm incutido nas equipas a mentalidade de lutarem sempre pela vitória. Mais vale lutar para vencer desde o início do que ficar à espera de um contra-ataque para poder chegar à vitória. É por isso que, ao mesmo tempo que temos visto guarda-redes num plano superior, também tem havido mais golos», explica Quim.


Navas travou a Grécia de Fernando Santos no desempate por penáltis.

O ponta de lança João Tomás, por seu lado, acredita que há outra explicação para que avançados e guarda-redes brilhem em simultâneo. «Penso que o que se tem passado tem mais a ver com o facto de os guarda-redes e os jogadores de campo treinarem cada vez mais e melhor. E, quando se treina melhor, é normal que tudo se consiga aperfeiçoar e as percentagens de sucesso aumentem. Depois, há outros fatores, como a mera casualidade. É como no basquetebol, onde às vezes se lança menos e se acerta mais», observa João Tomás ao
Maisfutebol.

Brazuca vs Jabulani

Poderá a bola desempenhar aqui um papel fundamental? Certo é que a «Brazuca» parece ser mais consensual do que a sua antecessora. Em 2010, a Jabulani recebeu críticas de guarda-redes e de jogadores de campo, como o ex-FC Porto Luís Fabiano. «Parece que não quer ser chutada», disse ainda antes da prova começar.

«É verdade que a bola da África do Sul tinha efeitos estranhos e dificultava a nossa tarefa. Mudava de direção como se a trajetória estivesse a ser influenciada pelo vento. E a verdade é que era a própria bola que fazia esses efeitos. Não tenho dúvidas de que a atual é melhor. Não tem desvios inesperados, mas não me parece que seja por aí que os guarda-redes estão num plano superior», conclui Quim.

Guarda-redes homens do jogo em 2014

Ochoa (México): Brasil 0-0 México
Tim Howard (Estados Unidos): Estados Unidos 2-2 Portugal
Navas (Costa Rica): Costa Rica 0-0 Inglaterra
Buffon (Itália): Itália 0-1 Uruguai
Dominguez (Equador): Equador 0-0 França
Júlio César (Brasil): Brasil 1-1 (3-2) Chile
Ochoa (México): Holanda 2-1 México
Navas (Costa Rica): Costa Rica 1-1 (5-3) Grécia
Rais (Argélia): Alemanha 2-1 Argélia
Tim Howard (Estados Unidos): Bélgica 2-1 Estados Unidos

Mais defesas até aos oitavos de final

1) Tim Howard (Estados Unidos): 28
2) Rais (Argélia): 23
3) Diego Benaglio (Suíça): 22
4) Vincent Enyema (Nigéria): 21
5) Alexander Dominguez (Equador), Claudio Bravo (Chile) e David Ospina (Colômbia): 18