São 2:00 da manhã, no court central da Caja Mágica, quando termina a eliminatória entre Espanha e Rússia, com vitória espanhola por 2-1. Os jogos da sessão noturna tinham começado às 18:00, de terça-feira, e prolongaram-se por oito horas. Pelo segundo dia consecutivo a jornada diária começou num dia e acabou, literalmente, no seguinte (na segunda-feira os jogos terminaram à 1:00 de terça-feira). 

Ao fim de 119 anos uma das maiores alterações da Taça Davis, e provavelmente a mais impactante, fez com que 18 equipas do grupo mundial se juntassem durante uma semana em Madrid para disputar o troféu. As seleções divididas em seis grupos dividem os jogos entre as duas sessões com três jogos às 11:00 e três às 18:00 (caso nenhum jogo da manhã se atrase).

A decisão, que teve como principal obreiro Gerard Piqué (responsável pela organização da Taça Davis através da Kosmos), levantou uma onda de contestação entre jogadores antes do início do torneio, mas as principais figuras acabaram por aterrar em Madrid. O jogador do Barcelona, como revelou antes do torneio, que ficou encarregue de «convencer os mais céticos»

Tivemos que convencer muitas pessoas que estavam, talvez, céticas e contra a ideia de alterar o formato. Fizemo-lo desde o início. Acredito que fizemos um trabalho espantoso, porque sentimos que as pessoas dentro da modalidade estão mais convencidas», disse Gerard Piqué, presidente da Kosmos Tennis.

No entanto o contacto com a realidade está a voltar a acordar os céticos adormecidos e estes atrasos tem dominado as conferências de imprensa.

Logo no segundo dia, Rafael Nadal foi «obrigado» a fazer uma avaliação do novo formato. O espanhol fugiu à pergunta considerando essa tarefa «difícil» e apontou ao último dia para fazer a avaliação. Mesmo assim, o número 1 mundial deixou no ar uma crítica aos horários, por o último jogo da eliminatória, entre espanhoís e russos, ter começado às 00:45.

Já esta terça-feira foi Novak Djokovic a avaliar o início da nova Taça Davis. O sérvio mostra-se triste por não poder jogar no país natal, como nos anos anteriores, mas defendeu que esta mudança no formato era necessária.

O número dois mundial e presidente do ATP Player Council considera que há coisas negativas a apontar, mas há também muitos factores positivos no novo formato. Djokovic lembrou mesmo que «é muito difícil fazer mudanças no ténis».

João Guilherme Ferreira / Enviado-especial a Madrid