O PCP faz um balanço positivo embora “limitado” dos anos da “geringonça”, um período de 2015 a 2019 que, embora complexo e "com contradições", não pode ser usado para “branquear a política e ação do PS”.

O balanço e o aviso são feitos no projeto de resolução política, também conhecido por teses, hoje publicada pelo jornal Avante, na edição ‘on-line’ e em papel, em que os comunistas fazem um balanço desde o último congresso, em 2016, e os objetivos para os próximos quatro anos.

A “nova fase da vida política nacional” foi como o partido chamou aos anos em que o PS, PCP, Bloco de Esquerda e PEV tiveram um acordo que suportou o Governo minoritário de António Costa e que é analisado em quatro das 77 páginas das teses, que as estruturas partidárias vão discutir até ao XXI congresso nacional, marcado para 27, 28 e 29 de novembro.

Esses quatro anos “não foram um tempo percorrido em vão”, “fizeram-se ruir dogmas” e “extraíram-se lições”, conseguiu-se a “defesa, reposição e conquista de direitos” que tiveram no PCP “uma intervenção decisiva”.

No texto do projeto de resolução, os comunistas realçam que não foram força “de suporte ao Governo por via de qualquer acordo” e que o partido “manteve a sua total liberdade e independência” – uma expressão já usada no congresso de há quatro anos pelo dirigente Jorge Cordeiro.

Estes quatro anos resultaram em “conquistas”, ocupando os exemplos mais de meia página, como a reposição de salários à reversão da Carris e Metropolitano de Lisboa ou a gratuidade dos manuais escolares nos 12 anos de escolaridade obrigatória.

E “só não se foi mais além porque o PS continuou amarrado a opções que limitaram” outras decisões e por não abandonar as "opções essenciais da política de direita".

Este período, de 2015 a 2019, tem de ser avaliado, concluem, pelo que “de facto expressou” e não por aquilo que “alguns lhe pretendem atribuir”, avisando contra “aproveitamentos para branquear e política e ação do PS” ou para tornar numa “base estrutural” uma “correlação de forças conjuntural” de uma maioria de esquerda na Assembleia da República.

A “nova fase da vida política nacional”, conclui-se nas teses, “não pode ser medida apenas pelo que se avançou e conquistou, mas também pelo que se interrompeu e impediu” da parte do Governo PSD/CDS.

PCP tem menos 4.320 militantes do que em 2016

O PCP tem 49.960 militantes, menos 4.320 do que em 2016, segundo o projeto de resolução político que vai ser discutido no XXI congresso do partido, em novembro.

Na proposta de resolução, o partido explica esta redução com o facto de “o número de recrutamentos não ter compensado o número de camaradas que deixaram de contar como membros” do partido, principal devido a falecimentos.

Nos últimos anos, de acordo com o texto, “foram recrutados 3.245 militantes”, a maioria (67%) com menos de 50 anos quando aderiram ao partido.

Na parte dedicada aos órgãos dirigentes, a proposta de resolução admite uma “ligeira redução” no número de membros do comité central, fixando-se, igualmente, uma meta de “natural renovação”.

O comité central deve, segundo as teses, “manter uma ampla maioria de operários e empregados, com uma forte componente operária”, a exemplo do que acontece há décadas no partido que cumpre 100 anos em 2021.

Segundo o documento esta quinta-feira divulgado, entre os 49.960 membros do partido, a “larga maioria” é de operários e empregados (70,1%), com “uma componente operária de 36,9%”.

O PCP informa ter 2.417 organismos, dos quais 310 são de empresa e local de trabalho e 567 são organismos de residência.

O XXI congresso do PCP realiza-se em 27, 28 e 29 de novembro de 2020 no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, distrito de Lisboa, sob o lema "Organizar, Lutar, Avançar - Democracia e Socialismo".

/ CE