Foi um leão inteligente e bem ciente das suas limitações que ultrapassou, com serviços mínimos, a eliminatória frente aos escoceses do Aberdeen (1-0), em Alvalade, marcando, desde já, novo encontro com os austríacos do LASK no play-off de acesso à fase de grupos da Liga Europa. Face às restrições impostas pela pandemia e à falta de ritmo, tendo em conta que este foi o primeiro jogo oficial da equipa de Rúben Amorim, valeu um golo solitário de Tiago Tomás para carimbar a qualificação, mas foi preciso sofrer, sobretudo nos últimos instantes da partida.

Muitas dúvidas no arranque do encontro, uma vez que este foi o primeiro jogo oficial do Sporting e, como se sabe, na fase final da preparação, a equipa foi fustigada por um surto de covid-19 que, além do treinador Rúben Amorim, afastou oito jogadores deste jogo. Menos dúvidas quanto ao Aberdeen que chegava a este jogo já depois de oito jogos realizados (dois na Liga Europa e outros seis na liga escocesa).

Apesar da juventude, foi um leão adulto que entrou em campo, ciente do que esteva em causa e do que precisava de fazer para ultrapassar o adversário escocês. Rúben Amorim manteve-se fiel à estrutura que tinha acabado a última época, com três centrais, laterais adiantados e, desta vez, com um ataque muito móvel, deixando Sporar no banco para apostar nas movimentações de Tiago Tomás, Jovane Cabral e Vietto, com Wendell mais recuado a gerir a orquestra.

O Aberdeen procurou, desde logo, tirar proveito dos minutos que já tem nas pernas, procurando esticar o jogo e desgastar os leões, apostando num jogo vertical, com Hedges e Watkins como referência no ataque, mas sempre com muitas precipitações, caindo muitas vezes em fora de jogo ou fazendo faltas ofensivas, que permitiam à defesa leonina gerir essas primeiras investidas com alguma tranquilidade.

Os leões procuravam manter a posse de bola e surpreender o adversário com súbitas mudanças de flanco, em dois ou três toques, procurando encontrar caminhos para a baliza de Lewis. Numa recuperação de Wendel, o Sporting acabou por adiantar-se cedo no marcador, logo aos oito minutos. O brasileiro abriu para Vietto que, por sua vez, lançou Tiago Tomás para o interior da área, com o jovem avançado a picar a bola sobre o guarda-redes. Muito fácil.

Mudou o marcador, mas o Aberdeen manteve a mesma toada, defendendo com praticamente toda a equipa atrás da linha da bola, para depois procurar transições rápidas. O Sporting também não se empolgou e continuou a jogar com muita cabeça, sem arriscar passes longos, gerindo o jogo de pé para pé, à espera, pacientemente, de outro erro do adversário. Jovane Cabral até esteve perto do 2-0, na sequência de um canto de Nuno Mendes, mas o intervalo chegou logo a seguir ainda com a vantagem mínima.

Na segunda parte a qualidade caiu a pique de forma abrupta. O Sporting procurou apenas o essencial, segurar a vantagem, sem qualquer risco no ataque. Os escoceses, por seu lado, subiram um pouco as linhas, mas continuaram a precipitar-se facilmente no ataque, fazendo muitas faltas e facilitando a vida aos leões. Tiago Tomás até esteve muito perto de bisar, na sequência de um canto de Nuno Mendes [marcou todos], mas o remate de cabeça, saiu a rasar a trave.

A diferença de qualidade entre os dois emblemas continuava a ser evidente, no toque de bola, mas os leões, sem ritmo, já não conseguiam imprimir velocidade ao jogo. É ainda muito cedo para noventa minutos e isso ficou bem visível com o passar dos minutos. Com os ponteiros a correrem para o minuto 90, os escoceses foram arriscando mais, com o treinador Derek McInnes a empurrar a equipa para a frente, com as alterações com foi fazendo, mas o Sporting estava, nesta altura, mais retraído e, tirando um ou outro calafrio, foi gerindo as investidas dos escoceses sem grandes problemas.

Rúben Amorim, à distância, demorou a mexer na equipa, lançando primeiro Sporar e, já nos últimos suspiros, Daniel Bragança e Plata, mas a verdade é que os leões passaram por verdadeiros calafrios na etapa final, com os escoceses a ameaçar o empate, com destaque para uma bomba de Hedges que não passou muito longe do poste. Um susto que levou os leões a levar a bola para longe da baliza de Adán e aguardar, mais longe, pelo final do encontro.

Daqui a oito dias, a missão será bem mais complicada [o LASK venceu o DAC por 7-0], mas os leões já deverão ter mais ritmo nas pernas.

Ricardo Gouveia / Estádio de Alvalade