A crise económica mundial vai levar mais mulheres do que homens para o desemprego, uma tendência que será, no entanto, contrária na Europa, segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho divulgado esta quinta-feira e citado pela Lusa.

A taxa de desemprego das mulheres passou de 6 por cento em 2007 para 6,3 por cento em 2008 e deverá atingir «pelo menos 6,5% de acordo com o cenário mais optimista, e 7,4 por cento segundo o mais pessimista», e até 7,8% nos países desenvolvidos, pormenoriza o relatório relativo às tendências globais do emprego das mulheres de 2009.

O cenário «mais optimista» assenta sobre as previsões de crescimento mundial de 0,5% avançadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em Janeiro.

De 2007 a 2008, a taxa de desemprego dos homens aumentou 0,4 pontos percentuais para 5,9%, e poderá atingir 6,1% segundo o primeiro cenário, e 7% segundo o pior.

O aumento da taxa de desemprego das mulheres vai verificar-se «na maior parte das regiões» do mundo com o risco de ser observada «o mais claramente» na América latina e nas Caraíbas, afirma o relatório.

Apesar das perspectivas desfavoráveis para as mulheres a nível global, o estudo mostra que no Leste asiático e nos países desenvolvidos, em particular na União Europeia, os homens deverão pelo contrário ser mais vítimas do desemprego do que as mulheres.

Com efeito, o estudo destaca «o maior aumento» da taxa de desemprego nos homens do que nas mulheres nestes países, com um aumento da taxa de desemprego dos homens de 1,1% para 6,6% em 2008, contra uma subida de 0,8% para 6,8% para as mulheres.

Para a OIT, «isto significa que houve uma redução do fosso homem-mulher em termos de desemprego em 2008» nestas regiões. Mas esta redução deve-se «unicamente ao facto da situação dos homens no mercado do emprego se ter degradado mais do que a das mulheres», precisa.
Redação / PGM