O presidente da Carris, José Manuel Silva Rodrigues, admitiu esta quarta-feira ter recebido orientações políticas dos governos para cumprir determinadas decisões, salientando que algumas não teriam sido tomadas num «quadro estrito de racionalidade de gestão».

«As empresas que são públicas são isso mesmo, são instrumentos da política do Governo e é normal que os governos dêem orientações às empresas que estão no seu universo de responsabilidade e, como é óbvio, a Carris, como as outras empresas públicas, recebeu algumas vezes orientações políticas do governo para cumprir determinadas decisões que tinham que ver com os objectivos políticos» do Executivo, afirmou Silva Rodrigues, durante a apresentação dos resultados de 2011 da empresa.

O responsável disse que as decisões tomadas «tiveram um determinado contexto», admitindo que, «algumas vezes, podem ter sido tomadas decisões que num quadro estrito de racionalidade de gestão não teriam sido tomadas, mas que, obviamente, decorreram da circunstância de serem empresas do Estado».

Silva Rodrigues, que está há nove anos à frente da Carris, disse, a título de exemplo, que estas decisões estiveram relacionadas com negociações de acordos salariais com sindicatos.

No entanto, o gestor sublinhou que estas situações nunca levantaram questões éticas.

O presidente da Carris voltou a defender as vantagens da gestão privada das empresas: «No momento em que estas empresas [públicas de transportes] deixem de ser empresas públicas, e passem a ser geridas por entidades privadas, deixam de funcionar como instrumentos da política do Governo e, consequentemente, ganham uma independência e um grau de liberdade que enquanto empresas públicas nunca poderão ter».

Silva Rodrigues disse ainda «não ter dúvidas» de que as empresas públicas continuam a despertar o interesse de empresas privadas, nacionais e internacionais.
Redação / CPS