A Polícia Judiciária do Porto tem no processo da operação Rota, entre outras provas, escutas telefónicas obtidas ao longo de vários meses que entende serem altamente comprometedoras para Álvaro Amaro, por recebimento de subornos da empresa de transportes Transdev. A TVI sabe que, por isso, os investigadores sugeriram ao Ministério Público que o barão do PSD, que está a aguardar pela tomada de posse como eurodeputado, fosse detido na operação do último dia 12.

A PJ considerou assim insuficiente a constituição de arguido do ex-autarca da Guarda, por corrupção, tráfico de influências, participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder, mas as pretensões da PJ acabaram travadas por João Marques Vidal, procurador-geral adjunto, que dirige atualmente o Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra. Ao contrário do que foi decidido pelo magistrado, irmão da ex-PGR, que deixou Álvaro Amaro em liberdade com simples termo de identidade e residência, a PJ entendia que face à gravidade dos factos, e pela complexidade do processo, sobretudo o perigo de perturbação do inquérito só poderia ser acautelado com a aplicação de medidas de coação mais fortes, em primeiro interrogatório judicial. Quiseram deter um dos homens fortes do conselho estratégico do PSD, próximo de Rui Rio e escolhido por este para coordenar a área para a Reforma do Estado, Autonomias e Descentralização, mas o Ministério Público não deixou.

Segundo o Portal Base, entre 2013 e abril deste ano o executivo liderado por Álvaro Amaro na Câmara da Guarda assinou contratos a rondar os 700 mil euros com empresas da Transdev, operadora rodoviária que detém posição dominante no serviço de transportes escolares no centro e norte do país. A investigação, que arrancou em 2017, entende que foram violadas regras de concorrência, tendo sido lesadas outras empresas e o Estado, que não beneficiou das melhores condições. A contrapartida da Transdev passou pelo pagamento de subornos a decisores públicos. Nesse sentido, Amaro é o principal suspeito, por corrupção passiva, mas o antigo líder dos Autarcas Social-Democratas não está sozinho: ao todo foram visadas nas buscas 18 autarquias e constituídos mais quatro arguidos.

Uma notícia da rubrica Mais Justiça, regularmente no Jornal da Uma da TVI.