O Sporting somou esta terça-feira a quinta vitória consecutiva em quatro competições diferentes, frente ao Famalicão (2-1), uma equipa que Ruben Amorim ainda não tinha vencido, e deu um passo firme rumo à Final Four da Taça da Liga. Os leões mostraram que aprenderam com os erros que cometeram no jogo da Liga (1-1) e, com uma exibição personalizada, conseguiram o essencial, um triunfo que lhes permite ir a Penafiel lutar pela qualificação para a próxima fase com apenas um empate. Os leões estiveram a vencer por 2-0, mas no final do jogo as pulsações ainda subiram, com um golo de Heriberto antes de uma ameaça de golpe de teatro, com um segundo golo anulado aos visitantes em tempo de compensação.

Ruben Amorim não promoveu propriamente uma revolução para o jogo desta noite, fez muitas alterações, deixou alguns titulares no banco, mas recuperou outros, como Feddal e Matheus Nunes, que já tinham descansado frente ao Moreirense. Uma gestão equilibrada, tendo em conta o calendário sobrecarregado até ao final do ano. A verdade é que os leões, com as novas camisolas Stromp, assumiram desde logo as despesas do jogo, com uma elevada posse de bola e muita serenidade na procura de espaços, com linhas curtas e muita solidariedade nos apoios e compensações.

Ivo Vieira, por seu lado, também mudou mais de meia equipa, em relação ao último triunfo nos Açores, mas procurou repetir a mesma estratégia do jogo da Liga, cedendo a bola ao Sporting, para depois procurar ferir os leões em rápidas transições. Com meio campo cedido, os leões foram apertando a malha, foram ganhando, centímetro a centímetro, terreno até que, aos 8 minutos, Ugarte surpreendeu tudo e todos com um remate espontâneo que sofreu um desvio em Pickel e foi parar ao fundo das redes de Júnior. Foi o primeiro golo do uruguaio com a camisola do Sporting e logo frente à sua antiga equipa, daí não ter sido muito efusivo nos festejos.

Um golo que tranquilizava o Sporting e prometia animar o jogo, uma vez que a vantagem que o Famalicão tinha no início do jogo, mudava agora de mãos. Os visitantes não reagiram ao golo, prosseguiram com as linhas muito recuadas e os leões podiam ter voltado a marcar logo a seguir, num lance protagonizado por Sarabia em que os leões ficaram a pedir penálti por um alegado corte com a mão.

A verdade é que o Famalicão continuava com linhas muito recuadas e o Sporting continuava com uma elevada posse de bola, sem pressa, mas à procura de novas oportunidades, com Nuno Santos em particular destaque, abrindo caminho com curtas combinações com Vinagre. Foi, aliás, dos pés do número 11, com um cruzamento em arco, que surgiu nova oportunidade flagrante, com uma cabeçada de Sarabia à figura de Júnior. O Famalicão ainda ensaiou um ataque, mas chegou ao intervalo apenas com um remate de Bruno Rodrigues, muito torto, sem qualquer perigo para João Virgínia de regresso à baliza dos leões.

Ivo Vieira procurou agitar o jogo na segunda parte com três alterações de uma assentada e o Famalicão entrou mais subido no terreno, agora com Pedro Brazão, Iván Jaime e Heriberto. Estavam lançados os dados para um jogo mais aberto. Agora os visitantes já pressionavam mais alto, mas, em contrapartida, os leões tinham mais espaços e, na primeira vez que chegaram à área do Famalicão, nesta segunda parte, chegaram ao segundo golo. Um lance de tiro ao boneco, com Matheus Nunes a perfurar pela direita e a rematar junto ao primeiro poste, Sarabia tentou a racarga, mas foi só à terceira, depois de Nuno Santos recolher a bola, que chegou o golo.

Que susto no final...

Com a vitória no bolso, Ruben Amorim, que já tinha lançado Pote, reconstruiu a equipa com Palhinha, Matheus Reis e Paulinho. O jogo estava mais aberto, como dizíamos, mas o Famalicão continuava sem incomodar João Virgínia. O Sporting parecia ter, nesta altura, tudo para matar o jogo, mas a verdade é que o jogo acabou por entrar numa toada morna, com as duas equipas a deixar correr os minutos, mas ainda haveria espaço para uma subida das pulsações.

A dois minutos do final Heriberto reduziu a diferença, com um passe de Ruben Lima a destacar Pablo. João Virgínia ainda tentou sair aos pés do avançado, mas a bola sobrou para Heriberto que só teve de encostar. Logo a seguir houve uma ameaça de golpe de teatro em Alvalade quando Ricielli marcou um golo do empate face às hesitações de João Virgínia e Luís Neto. Fez-se silêncio em Alvalade, apenas quebrado pela festa dos adeptos do Famalicão, mas logo a seguir ouviram-se palmas depois de Manuel Mota ter anulado o golo por adiantamento do central.

Suspirou-se de alívio em Alvalade. O Sporting precisa agora apenas de empatar com o Penafiel no segundo jogo para regressar à Final Four na defesa do título conquistado na época passada.

Ricardo Gouveia / Estádio de Alvalade