O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, classificou, esta segunda-feira, como “escândalo internacional” o desvio do voo comercial da Ryanair entre Grécia e Lituânia no domingo, que culminou na detenção de um opositor que seguia a bordo, e prometeu sanções.

O que aconteceu ontem [domingo] é um escândalo internacional. A vida de cidadãos europeus esteve em risco e isto não é aceitável, pelo que colocámos o debate sobre sanções na mesa do Conselho Europeu e estamos a preparar diferentes opções, diferentes medidas possíveis”, afirmou Charles Michel.

Falando na chegada à cimeira extraordinária de líderes da União Europeia (UE), o responsável disse esperar que “esta noite se possa tomar decisões” sobre esta questão, não especificando quais as sanções equacionadas.

Em causa está o desvio forçado de um voo da Ryanair para Minsk (Bielorrússia) no domingo à tarde, a meio de uma viagem entre Atenas (Grécia) e Vílnius (Lituânia), que culminou com a detenção do jornalista bielorrusso Roman Protasevich.

O jornalista, de 26 anos, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, viajava de Atenas para Vílnius.

Protasevich acabou detido pelas autoridades bielorrussas, quando os cerca de 120 passageiros do avião da Ryanair foram forçados a submeter-se a novo controlo em Minsk devido a um suposto aviso de bomba.

Vários países europeus já exigiram uma explicação à Bielorrússia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou no domingo “totalmente inaceitável” a aterragem forçada em Minsk do avião da Ryanair e sublinhou que “qualquer violação das regras de transporte aéreo internacional deve ter consequências”.

Também o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse nesse dia que o desvio do avião é “um incidente sério e perigoso que requer investigação internacional”.

O avião da Ryanair fazia um voo entre a Grécia e a Lituânia, dois países-membros da NATO e da UE.

As relações externas dominam assim a agenda do Conselho Europeu que decorre entre hoje e terça-feira, o primeiro realizado presencialmente este ano em Bruxelas, o que permitirá designadamente aos líderes abordar assuntos sensíveis, como a Rússia.

Inicialmente convocada apenas para terça-feira, esta cimeira foi alargada para dois dias, começando ao início da noite de hoje - 19:00 locais (18:00 de Lisboa) -, com um jantar de trabalho consagrado à política externa, destacando-se a “discussão estratégica” sobre a Rússia, que já esteve na agenda do Conselho de março passado.

A esta agenda juntou-se no domingo uma discussão sobre o desvio pela Bielorrússia do voo da Ryanair.

Teremos também oportunidade de debater a relação entre a UE e a Rússia. Queremos implementar os cinco princípios que queremos demonstrar a nossa solidariedade e a nossa unidade. Queremos ser firmes a fim de defender e promover o interesse europeu”, disse ainda Charles Michel na chegada à cimeira europeia.

O responsável disse afirmou esperar que, neste encontro, os chefes de Governo e de Estado da UE manifestem uma “posição clara” sobre a situação entre Israel.

/ NM