Retirada do Afeganistão: esta já "não é uma zona vital para os EUA", explica especialista

Tiago Moreira de Sá, professor da Universidade Nova, considera que os acontecimentos a que estamos a assistir no Afeganistão já era previsível e que os serviços de informação tinham certamente informado o presidente. Sabendo isso, porque é que Biden toma a decisão de sair do Afeganistão?

"A decisão de retirar tem um racional. Primeiro, porque os EUA estão em declínio relativo, desde a guerra do Iraque. Esse mundo unipolar -  em que os EUA são a única potência mundial e não têm qualquer paralelo em termos de poder económico, militar, tecnológico - acabou." Neste momento, além do próprio declínio, assistem à ascensão de novos poderes, como a China. Portanto, "têm de arranjar uma estratégia para que esse declínio não se torne irreversível e ainda mais acentuado".  Isso acontece, por um lado, com "um retraimento estratégico, reduzindo o seu envolvimento no exterior, saindo de zonas que não sejam consideradas vitais para a segurança dos EUA, como o Afeganistão".

Por outro lado, forçando a sua presença em áreas consideradas vitais. Há, então, um reposicionamento para a Ásia, para o eixo indo-pacífico. "A guerra que os EUA estão a travar atualmente é uma guerra de transição de poder com a China, essa é que é a guerra prioritária", afirma este especialista.

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