Benfica e Vitória entraram na fase de grupos da Taça da Liga com um diplomático empate que deixa totalmente em aberto a corrida para o primeiro lugar do Grupo B. Bruno Lage e Ivo Vieira promoveram oito alterações cada e os minhotos estiveram por cima em boa parte do jogo, com destaque para três bolas nos ferros no último minuto da primeira parte. O Benfica, com cinco jogadores da formação de início, só conseguiu emancipar-se com a entrada de Rafa e com o regresso de Gabriel, mas não conseguiu o golo que deixava caminho aberto para a Final Four.

Confira a FICHA DO JOGO

Com oito alterações para cada lado, com muitos jogadores com poucos minutos esta época, com destaque para a estreia absoluta de Zlobin, assistimos a uma espécie de jogo de pré-época, com um baixo, muitos erros invulgares para esta altura da época, desacerto nas compensações e dificuldades nas mudanças de velocidade.

Ainda assim, entrou melhor o Vitória que, com mais gente no meio-campo, conseguia apresentar-se em vários sectores do em maioria, progredindo no relvado, com uma certa facilidade, com várias triangulações. Ivo Vieira apostou num meio-campo mais preenchido e Taarabt e Samaris não encontravam forma de pressionar o adversário que saía a jogar com uma facilidade pouco comum na Luz. Poha, Mikel e André Almeida tinham muito espaço para construir, passavam a primeira fase de pressão do Benfica e, depois, abriam jogo para as alas para Rochinha e Davidson.

Davidson teve uma primeira oportunidade, com um remate forte por cima da trave e, logo a seguir apareceu Rochina, do lado contrário, a rematar cruzado, com a bola a passar perto do poste. O desequilíbrio do Benfica era mais do que evidente e Bruno Lage procurou corrigir essa lacuna, dando indicações a Seferovic para se posicionar entre os centrais e pedindo a Gedson para desviar-se para a zona central, deixando as alas entregues a Caio Lucas e Jota.

O Benfica, com este novo figurino, conseguiu equilibrar o jogo e até conseguiu pressionar o Vitória, com uma série de pontapés de canto. Num deles, Jardel, esteve perto de marcar, com uma cabeçada que não passou longe do poste, com Douglas batido. Gedson também contou com uma oportunidade, depois de ganhar uma bola na zona central, rematando com força, mas por cima. A verdade é que o Benfica sentia tremendas dificuldades para imprimir velocidade ao jogo e o Vitória pareceu sempre muito à vontade.

Nos últimos minutos da primeira parte, o ritmo quebrou ainda mais e o Vitória voltou a crescer. Os minhotos voltaram a ameaçar as redes de Zlobin e só não chegAram ao intervalo em vantagem por milagre, com dois lances incríveis, com três bolas nos ferros no mesmo minuto.

Primeiro, na sequência de um canto, Zlobin saiu de entre os postes, a bola sobrou para Bonatini que rematou, mas o jovem russo recuperou e sacou a bola mesmo por cima da linha de golo, com a bola a ir ainda ao ferro. Logo a seguir, cruzamento da esquerda, Pedrão cabeceou ao poste, na recarga Bonatini atirou à trave e, numa segunda recarga, Davidson, com tudo para fazer golo, atirou à figura de Zlobin.

De tirar a respiração.

Uma primeira parte com um Vitória por cima e a segunda começou da mesma forma, com os minhotos a conseguirem criar desequilíbrios com uma certa facilidade. Tal como na primeira parte, valeu ao Benfica o acerto de Zlobin que, sempre bem posicionado, foi anulando os sucessivos remates de Davidson, Bonatini e Rochinha.

Bruno Lage não esperou muito mais e foi reforçando a equipa, primeiro com Rafa, depois com Gabriel, prescindindo de Jota e Samaris. Ivo Vieira respondeu no mesmo sentido, abdicando de André Almeida, para lançar André Pereira. O ritmo de jogo subiu a olhos vistos com Rafa a deixar marca forte no jogo, com destaque para uma arrancada que só não acabou em golo graças a um corte providencial de Sacko.

O Benfica ganhou velocidade, mas o Vitória não se encolheu e jogo ficou aberto nos últimos minutos, com as duas equipas à procura de um golo que, tendo em conta a constituição deste grupo, que conta ainda com V. Setúbal e Sp. Covilhã, significava meio caminho andado para a Final Four. O Benfica, já com Raul de Tomás também em campo, esteve muito perto de o conseguir, na sequência de um cruzamento de Tomás Tavares e um remate de primeira de Rafa que passou a rasar o poste.

O jogo acabou com intensidade, com oportunidades, com o Benfica a conseguir levar toda a pressão para a baliza de Douglas, mas acabou mesmo sem golos e, assim, fica tudo em aberto neste Grupo B.

Ricardo Gouveia / Estádio da Luz