Vitória de Guimarães e Benfica protagonizaram um autêntico jogo de loucos no Estádio D. Afonso Henriques em jogo da 3.ª Fase da Taça da Liga. Num embate decisivo, os dois emblemas igualaram-se a três e adiam as decisões para o derradeiro jogo do Grupo A da competição.

O Benfica ameaçou um passeio em Guimarães, chegando a uma vantagem de dois golos logo no primeiro quarto de hora.  Recompôs-se dos seus próprios erros o Vitória e conseguiu reentrar na partida a poucos minutos do intervalo, reduzindo a desvantagem no marcador.

Na segunda metade a equipa de Pepa foi melhor, ameaçou por diversas ocasiões, expondo-se a um novo golo sofrido. Quaresma enviou ao ferro numa primeira ameaça, a sete minutos dos noventa Bruno Duarte igualou o encontro. Um empate que não serve a ninguém no imediato, mas que deixa margem para os encarnados corrigirem a trajetória em direção à Final Four, em Leiria. O Vitória fica à mercê do que o derradeiro jogo ditar, entre o Benfica e o Covilhã.

Mão cheia de golos em arranque de loucos

Vindo de um período conturbado, em que após duas derrotas (Portimonense e Bayern de Munique) apenas conseguiu vencer o Vizela oito minutos para lá da hora, um Benfica reformulado com oito mudanças no onze teve no arranque do jogo em Guimarães o clique que poderia faltar para o regresso à tranquilidade. Ao quarto de hora de jogo a equipa de Jorge Jesus já vencia por duas bolas a zero.

Um autogolo de Alfa Semedo e um remate de pé esquerdo de Pizzi, por entre uma facilidade tremenda em penetrar no último reduto vimaranense. Com uma entrada demasiado nervosa da equipa da casa, o Benfica facilmente chegou a zonas de finalização em superioridade numérica, adivinhando-se uma noite tranquila.

Só que o Vitória alternou momentos irreconhecíveis com momentos de fulgor ofensivo. Num desses momentos de ataque André André insistiu até marcar de pé esquerdo, relançando, esperava-se a partida. Voltou a ampliar a vantagem o Benfica pouco depois, na sequência de um lançamento de linha lateral. Entre o desnorte defensivo do Vitória fica na retina o trabalho individual de Radonjic a enquadrar-se para fuzilar Bruno Varela.  

Acalmaram-se as hostes vitorianas, que temporariamente se tinham empolgado o golo. Acalmou o Benfica, de quando em vez ameaçando aproveitar os brindes que a equipa de Pepa ia concedendo. Instantes antes do intervalo Estupiñán voltou a abrir o jogo com um cabeceamento certeiro.    

Mais critério, menos espetáculo

Se a primeira metade foi verdadeiramente estonteante, o segundo período do encontro foi diferente. Passou a haver mais critério de parte a parte, com os dois conjuntos a perceber que num jogo de caráter decisivo o grau de risco não podia continuar a ser o mesmo.

Neste limbo expôs-se menos o Benfica, esteve mais retraído e permitiu que o Vitória fosse mais audaz. Foi a equipa da casa a procurar com mais afinco o golo. Quaresma, uma das apostas de Pepa, atirou à trave no decorrer do segundo tempo, antes do período de maior assédio do Vitória.

Com o Benfica encolhido, fruto também da falta de rotinas de uma equipa com menos minutos somados, o empate acabou por chegar ao minuto 83, destacando-se o espírito reativo do Vitória após um início do encontro em que os erros saíram em catadupa.

Depois de ter na mão o passaporte para sair de Guimarães com a passagem à fase final o Benfica deixou-se empatar, tendo agora de vencer o Covilhã para garantir essa mesma passagem.

Bruno José Ferreira / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães