É a máxima tirânica das competições europeias. Os erros pagam-se frequentemente com golos.

O V. Guimarães arrancou a participação na fase de grupos da Liga Europa com uma derrota na Bélgica por 2-0 diante do Standard, num jogo em que até não foi inferior ao conjunto de Liège, mas acabou traída por dois erros de abordagem a lances aparentemente inofensivos.

FILME E FICHA DE JOGO

Se a segunda parte trouxe maior imprevisibilidade, a primeira foi marcada pela extrema cautela de parte a parte. O Standard pouco pressionante sobre a primeira fase de construção e o Vitória, com mais bola sobretudo na primeira meia hora de jogo, com dificuldades para desmontar a estrutura defensiva da equipa orientada por Michel Preud-homme.

No final dos primeiros 45 minutos não se contabilizava uma ocasião de golo flagrante num jogo sorumbático.

Se tivéssemos de fazer um resumo-vídeo, começávamos a contar a história deste duelo a partir do minuto 56. Tivesse ele terminado 0-0 e as primeiras linhas da crónica seriam sobre esse momento, quando Davidson, numa segunda vaga após remate de Poha de fora da área, rematou para mancha de um competentíssimo Vanja Milinkovic-Savic.

O guarda-redes sérvio foi uma das figuras da tarde/noite. Não por ter efetuado muitas defesas de elevado grau de dificuldades, mas pelas alturas críticas em que as fez. Minutos antes do primeiro e, depois, antes do segundo golo dos belgas.

O primeiro foi apontado por Florent Hanin, que, na tentativa de intercetar um cruzamento da direita, acabou por marcar na própria baliza.

O 1-0 da equipa belga desbloqueou definitivamente um jogo que parecia demasiado recalcado até ao tal minuto 56.

Com Bruno Duarte e Pepê em campo (entraram para os lugares de Bonatini e Mikel Agu), a equipa portuguesa lançou-se em busca da felicidade. Tornou-se mais agressiva, mas ficou também mais exposta à reação belga.

Num intervalo de pouco mais de cinco minutos, houve três ocasiões de golo: uma para o Standard e duas para o Vitória, a segunda negada por Milinkovic-Savic, que voou para negar o empate a Tapsoba.

Já em tempo de compensação, o conjunto de Ivo Vieira deitou tudo a perder. Depois de ter estado perto do golo, Tapsoba comete um deslize primário e entregou o ouro a Mpoku, que, isolado, resolveu o jogo.

Os vimaranenses fizeram por merecer outro epílogo, mas acabaram por entregar a partida a um adversário aparentemente acessível.

É assim na Europa. Até na Europa das equipas médias.

David Marques