Um jogo feio, tão feio como a cara de um lutador que leva golpe após golpe, mas se mantém de pé. Esse é o Vitória, que veio a Alvalade defender como pôde e saiu com um ponto.

Um jogo de estreias, um jogo de principiantes como Tiago Tomás. Um menino atirado a uma defesa sadina de barba rija e que lhe disse o que era jogar na Liga. Esse é o espelho do Sporting desta terça-feira. Jovem na individualidade e coletivo, sem conseguir crescer para um rival que lhe fez a mais feia das caras e sem soluções que outros parecem ter. Daí ter empatado com uma equipa que tinha apenas uma coisa a fazer: defender e defender. E essa é uma lição que o leão não pode desperdiçar, sob pena de na próxima vez, na vez de ter o pódio em risco, tenha algo mais importante.

A primeira parte teve muito pouco de emoção. Por isso, vamos quase passar por ela sem falar de defesas de guarda-redes ou remates de avançados – entenda-se aqui por jogadores da equipa com a bola.

Isto apesar de o jogo ter praticamente começado com a melhor ocasião dos 45 iniciais. Um lançamento em profundidade de Marcos Acuña para Tiago Tomás que já na área tentou um chapéu a Makaridze. Para acabar de vez com as tentativas de golo, outra do jovem avançado num remate demasiado por cima, mais à frente no jogo.

Agora, as razões para tão poucas tentativas. O Sporting tinha muita bola, o Vitória fechava-se num 5x4x1. O corredor central estava congestionado, apesar de Francisco Geraldes lá andar a tentar arranjar espaço.

Pela primeira vez titular na carreira ao serviço da equipa principal dos leões, o camisola 17 foi dos mais esclarecidos à procura de nesgas que rompessem a defesa contrária. Ele de um modo, Acuña de outro, com o argentino quase sempre a procurar a profundidade de movimentos de Tiago Tomás e… do próprio Geraldes. Wendel, esse, tentava acelerar também, para ver se via algo diferente das listas verdes e brancas, verticais.

Com um coletivo preso na rede sadina e sem qualquer inspiração individual que fizesse a diferença, o 0-0 era lógico pela barreira setubalense em que o Sporting «batia» e porque o Vitória era inexistente no ataque.

Vietto primeiro, depois Geraldes recua

Rúben Amorim mexeu ao intervalo, Vietto regressou e atirou Plata para o corredor direito por completo. Ou seja, para o lugar de Ristovski. O Vitória, esse, permanecia que nem uma rocha: impermeável, sem sair do sítio.

Os problemas do Sporting e a virtude do adversário – defender como podia – continuaram ao ponto de o primeiro remate enquadrado ter chegado aos 65 minutos. Vietto, numa tentativa fraca e à figura.

Melhor foi aquela que tentou Acuña. De longe, de novo, mas como a bola desviou, obrigou Makaridze a grande defesa. Essa foi a melhor ocasião do encontro: um remate de longe, quase em desespero por falta de opções, que desviou num adversário, ao qual o guarda-redes reagiu e ao qual nenhum sportinguista conseguiu chegar depois, após o toque de Makaridze.

Amorim ainda juntou Pedro Mendes a Tiago Tomás. E talvez aqui surja a principal reflexão do encontro. São as opções que o treinador dispõe, o que parece manifestamente curto para quem tem objetivos europeus na temporada e maiores na seguinte.

Em poucas palavras, o jogo foi mau. O Sporting não teve ideias, não soube abrir a defesa sadina. Mas se o jogo foi mau, a resistência do Vitória foi excelente. Lito Vidigal e os sadinos não enganaram ninguém era previsível e expectável que se apresentassem assim, como um lutador combalido, mas que se recusa a cair. Apanha todos os golpes, mas aí está, de pé.

Cabia ao Sporting pôr o adversário K.O., mas assim, parte para o dérbi da última jornada sem ter o terceiro lugar confirmado. Não mereceu o contrário.

Luís Pedro Ferreira / Estádio José Alvalade, Lisboa