O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou hoje que o ataque contra o opositor russo Alexei Navalny, envenenado com uma substância neurotóxica, é “uma séria violação da lei internacional” por envolver armas químicas ilegais, exigindo “uma resposta internacional”.

“Há provas irrefutáveis de que Alexei Navalny foi envenenado com a utilização de um agente químico neurotóxico do grupo Novichok. O uso de uma arma desse tipo é abominável e todos os aliados foram hoje unânimes em condenar veemente o ataque”, declarou Jens Stoltenberg, falando em conferência de imprensa após uma reunião do Conselho do Atlântico Norte, o órgão de decisão política da NATO.

Recordando casos anteriores de “críticos e opositores políticos do regime russo atacados e ameaçados, alguns até morreram”, o secretário-geral da NATO vincou que este “não é apenas um ataque contra um indivíduo, mas contra os direitos fundamentais democráticos e uma séria violação da lei internacional, que exige uma resposta internacional”.

Por isso, “os aliados vão continuar as consultas para determinar as implicações deste incidente”, referiu Jens Stoltenberg.

Para o responsável, “qualquer uso de armas químicas revela o total desrespeito pela vida humana e é uma violação inaceitável das normas e das leis internacionais”, e é por essa razão que a NATO está a acompanhar o caso, embora a Rússia não faça parte da aliança.

“A voz da NATO importa”, afincou Jens Stoltenberg, acrescentando que “os aliados concordaram que existem respostas sérias a que a Rússia tem agora de responder e o governo russo tem de cooperar com a organização através da proibição de armas químicas e avançando uma investigação imparcial internacional”.

E vincou: “Os responsáveis pelo ataque têm de ser trazidos à justiça”.

Insistindo no apelo à “colaboração da Rússia”, Jens Stoltenberg disse ainda que Moscovo deve “revelar totalmente” o seu programa sobre armas químicas.

A posição do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) foi manifestada depois de os embaixadores da aliança se terem reunido, em Bruxelas, para avaliar as implicações do envenenamento com Novichok do líder opositor russo Alexei Navalny.

E surge dois dias depois de o governo alemão ter anunciado que testes realizados num laboratório militar mostraram evidências da presença de "um agente químico neurotóxico do grupo Novichok" no organismo de Navalny, que se encontra atualmente internado em Berlim.

Nesse dia, Jens Stoltenberg já tinha considerado que o resultado do teste feito ao opositor russo Alexey Navalny “torna ainda mais urgente” uma “investigação completa e transparente” da Rússia.

Na quinta-feira, o Kremlin rejeitou que haja motivos para acusar o governo da Rússia de estar na origem do envenenamento do opositor russo Alexei Navalny e pediu ao Ocidente que tome cuidado com qualquer "julgamento precipitado".

Principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin, conhecido pelas investigações anticorrupção a membros da elite russa, Alexei Navalny, 44 anos, está internado, em coma, desde 20 de agosto.

O político sentiu-se mal durante um voo de regresso a Moscovo, após uma deslocação à Sibéria. Foi primeiro internado num hospital de Omsk, na Sibéria, tendo sido transferido, posteriormente, para o hospital universitário Charité, em Berlim.

O Novichok integra um grupo particularmente perigoso de agentes neurotóxicos russos que foram proibidos, em 2019, pela Organização para a Interdição das Armas Químicas.

A conceção deste tipo de agente neurotóxico por cientistas soviéticos remonta aos anos 1970 e 1980, as últimas décadas da Guerra Fria.

/ Publicada por ALM