Há mais de um ano que a Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) está em negociações com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para que o saneamento passe para o universo do Grupo Águas de Portugal (AdP). Agora, a operação pode ficar novamente adiada. A razão? É novamente ano de eleições, admitiu o administrador António Bento Franco, em entrevista à
Agência Financeira.
Bento Franco revelou ainda que o «timing» do negócio não é controlado pela EPAL: «Não quero ser pessimista, mas estamos em ano eleitoral. Não é favorável aos negócios». «Há interesse por parte da Câmara, mas ainda está em análise. A CML tem aspectos políticos e financeiros que não podem ser postos de lado».
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Quanto à mais-valia financeira de acrescentar o saneamento ao seu negócio, o responsável, apesar de não adiantar valores, sublinha que a empresa já faz a cobrança das respectivas tarifas e que estas são depois remetidas para a câmara de Lisboa. «Sabemos exactamente o que a CML recebe e quais os investimentos que precisam ser feitos».
Negócio pode permitir reutilização e maiores poupanças
A vantagem seria ainda a de fechar quase completamente o ciclo da captação até à distribuição da água em Lisboa. «Se a EPAL ficasse com o saneamento da área de Lisboa, a AdP ficava com todo o negócio da água e esta é a única hipótese de fazer reutilizações e de gerir o ciclo urbano. Ficaríamos com muitíssimo mais eficiência», garantiu à
AF.
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Por outro lado, a concretização desta operação vem afastar a possibilidade de se privatizar a EPAL. «A reestruturação da empresa vai exactamente contra a privatização. Hoje, já há uma verticalização. Temos as operações desde a captação à torneira. A reestruturação é para tornar empresa una e só assim é que se consegue eficiências».
Em entrevista à
Agência Financeira, o administrador da empresa realçou a evolução que foi feita neste sector em Portugal, desde os anos 90, e assegurou que não há problemas de monopólio até porque há regulação. «Há muito chavões na água. Nunca haverá duas empresas a trabalhar, por exemplo, nos esgotos de Lisboa. Não faz sentido, mas pode haver mais do que uma no país».
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