A gala dos Óscares que premeia os melhores filmes de 2020 foi em vários aspetos uma noite histórica. Incontornavelmente marcada pela pandemia de covid-19, a cerimónia fez-se a partir da Union Station, em Los Angeles, mas foi a vários pontos do mundo, onde as mais diferentes personalidades estavam a assistir, algumas delas com a esperança de poderem arrecadar uma estatueta.

Os maiores prémios do cinema têm sido fortemente marcados por uma grande tentativa de paridade, e esta edição era já histórica em muitos desses parâmetros.

Na realização, pela primeira vez estavam nomeadas duas mulheres, sendo que uma delas acabou mesmo por vencer aquela que é considerada a segunda categoria mais importante.

Chloé Zhao, com o fortíssimo "Nomadland - Sobreviver na América" (grande vencedor da noite), tornou-se apenas a segunda mulher a vencer um Óscar para Melhor Realização, juntando-se a Kathryn Bigelow, que em 2009 fez história, ao vencer o prémio com "Estado de Guerra". Em 93 edições, apenas estas duas mulheres conseguiram furar aquilo que parece ser cada vez menos um mundo exclusivo do sexo masculino.

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Mas se a nomeação da asiático-americana já era só de si espetacular, e mesmo juntando a vitória, o grande destaque vai para o facto de ser a primeira mulher de uma minoria étnica a vencer o Óscar de Melhor Realização.

Noutro campo, o dos argumentos, destacou-se a gravidíssima Emerald Fennell. Quem segue "The Crown" sabe que é de lá que ela é conhecida. Mas o seu "Uma Miúda com Potencial" quebrou barreiras na categoria de "Melhor Argumento Original".

Trata-se da primeira vez que uma mulher vence o Óscar de Melhor Argumento Original em 13 anos, depois de Diablo Cody ter recebido o galardão pelo filme "Juno".

Mais fantástico é o facto de esta ter sido a estreia de Emerald Fennell no grande ecrã, o que augura um bom futuro à jovem realizadora e argumentista.

Fechando o capítulo dos argumentos, Christopher Hampton e Florian Zeller arrecadaram a estatueta de Melhor Argumento Adaptado, com o filme "O Pai", que também valeu a Anthony Hopkins o Óscar de Melhor Ator.

Foi o primeiro filme do francês Florian Zeller, que, num discurso emocionado, relembrou a dificuldade que foi em conseguir ter Anthony Hopkins para o papel principal. O argumentista disse mesmo que a estrela era o melhor ator da atualidade.

António Guimarães