A reunião entre Governo, sindicato e patrões terminou sem acordo por causa da greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, mas a paralisação vai continuar. Segundo o presidente da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), a reunião serviu para clarificar os serviços mínimos na requisição civil.

"A reunião serviu para uma clarificação dos serviços a executar e, portanto, abaixo dos serviços mínimos estamos a falar de uma questão ilegal em que as pessoas têm de perceber que estão escaladas para este serviço e, a favor ou contra, têm de ir trabalhar", afirmou Gustavo Paulo Duarte, presidente da ANTRAM, no fim da reunião.

Os serviços mínimos garantem assim aquilo que está escrito na requisição civil: aeroportos, hospitais e grandes centros de consumo serão abastecidos "a 100%". Já os centros de serviço público terão constrangimentos, como os que já se têm sentido no dia de hoje.

Para o presidente da ANTRAM a greve tem de ser levantada para que todas as partes possam conversar.

"Por mim [a greve] já tinha acabado. Tem de se levantar a greve. Se querem iniciar as negociações, muito bem, a ANTRAM está disponível para iniciar as negociações, mas fora da pressão do contexto de greve", acrescentou.

Do lado dos sindicatos, à saída da reunião, Pedro Pardal Henriques, vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, disse que a primeira conclusão importante a retirar do encontro é a intenção da ANTRAM em "conversar" com o sindicato.

Ninguém quer este estado de calamidade a que estamos a chegar", afirmou o responsável.

Pedro Henriques garantiu que os serviços mínimos vão ser cumpridos, explicando que entidades como aeroportos, hospitais e serviços de segurança terão 100% de abastecimento.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Após a requisição civil, os militares da GNR mantiveram-se de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível pudessem abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.

Gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis provocando congestionamento nas vias de trânsito.

Esta terça-feira, os ministros da Administração Interna e do Ambiente e da Transição Energética declararam a “situação de alerta” devido à greve nacional, implementando medidas excecionais para garantir os abastecimentos.

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) apelou aos cidadãos para que deem prioridade aos veículos de emergência médica nos postos de abastecimento, explicando que todas as viaturas foram atestadas de manhã.