A Efacec anunciou hoje que a empresária angolana Isabel dos Santos, envolvida no denominado processo 'Luanda Leaks', decidiu "sair da estrutura acionista" da empresa, "com efeitos definitivos", tendo os seus representantes renunciado aos cargos no grupo.

Em comunicado, o Conselho de Administração da Efacec Power Solutions refere que Isabel dos Santos informou o órgão que "decidiu sair da estrutura acionista" do grupo, "com efeitos definitivos".

Assim, na sequência desta decisão, "Mário Leite da Silva renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração", bem como o advogado "Jorge Brito Pereira", que "renunciou ao cargo de presidente da assembleia-geral da Efacec Power Solutions, ambos com efeito imediato".

O Conselho de Administração refere que, "neste contexto, a engenheira Isabel dos Santos solicitou" a este órgão "para iniciar, com efeito imediato, as diligências necessárias para concretizar a sua saída da estrutura acionista da Efacec Power Solutions", tendo sido já nomeados assessores para esse efeito.

"A Comissão Executiva continua vinculada, a princípios de independência e de uma gestão sã, diligência e boa fé e totalmente focada na concretização do plano de desenvolvimento de negócio para 2020, com atenção aos interesses de todas as suas partes interessadas, incluindo os seus clientes, colaboradores e fornecedores", refere o grupo.

O Conselho de Administração da Efacec Power Solutions "reafirma uma palavra de tranquilidade e confiança a todos os nossos trabalhadores, clientes e fornecedores, certo de que, em conjunto, conseguiremos manter e reforçar a posição da Efacec como uma referência nos setores onde atua, retribuindo a confiança de centenas de clientes em todo o mundo", conclui o órgão, no comunicado.

Em outubro de 2015, através da Winterfell Industries, a empresária adquiriu a maioria do capital da Efacec Power Solutions, passando Mário Leite da Silva - 'braço direito' de Isabel dos Santos - a presidir o Conselho de Administração.

A Efacec Power Solutions opera nas áreas da engenharia, energia e da mobilidade.

O anúncio da saída de Isabel dos Santos - constituída arguida em Angola no âmbito do 'Luanda Leaks' - acontece dois dias (22 de janeiro) depois do EuroBic ter comunicado que a empresária iria vender a sua participação no banco, medida que visa salvaguardar a confiança na instituição.

A filha do ex-presidente angolano é ainda acionista da NOS, através da ZOPT, entidade detida pela Sonae e Isabel dos Santos, e da Galp Energia.

Na petrolífera portuguesa, a posição é indireta através da Esperaza Holding, a qual é controlada em 60% pela angolana Sonangol e 40% por Isabel dos Santos. A Esperaza Holding, conjuntamente com o grupo Amorim, detém a Amorim Energia, a qual é dona de 33,34% da Galp Energia.

A Amorim Energia tem como acionistas a Power, Oil & Gas (35%), Amorim Investimentos Energéticos (20%) e a Esperaza Holding BV (45%). Ou seja, Isabel dos Santos detém indiretamente cerca de 15% da Galp Energia.

O anúncio da venda da sua participação na Efacec acontece um dia depois de os três administradores não executivos da NOS com ligações à empresária - Jorge Brito Pereira, Mário Leite da Silva e Paula Oliveira - terem renunciado aos seus cargos na operadora.

A renúncia destes administradores aconteceu um dia depois da Procuradoria-Geral da República angolana ter anunciado que Isabel dos Santos tinha sido constituída arguida num processo em que é acusada de má gestão e desvio de fundos da Sonangol e que visa também portugueses alegadamente facilitadores dos negócios da filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos entre os quais Mário Leite da Silva e Paula Oliveira.

Um consórcio de jornalismo de investigação revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, depois de analisar, ao longo de vários meses, 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos a tornar-se a mulher mais rica de África.