O salário mínimo nacional será de 635 euros brutos a partir de ontem, 1 de janeiro de 2020, face aos 600 euros do ano que acabou.

Trata-se do sexto aumento consecutivo do salário mínimo desde 2015. Apesar destas atualizações sucessivas, o valor do salário mínimo em Portugal continua a ser um dos mais baixos da União Europeia.

Mas afinal, quanto representam, de facto, os 635 euros e o que compram?

Em termos brutos (antes da contribuição para a Segurança Social), o aumento mensal será de 35 euros. Já em termos líquidos (depois da contribuição para a Segurança Social), haverá um ganho de 31,15 euros por mês.

Ou seja:

Contribuição para a Segurança Social em 2020 = Salário mínimo nacional bruto em 2020 x Taxa contributiva (11%):635 euros x 11% = 69,85 euros

Valor mensal líquido = Salário mínimo nacional bruto em 2020 - Contribuição para a Segurança Social em 2020 = 565,15 euros

A TVI24 resolveu fazer as contas a um cabaz de compra “normal”, onde não podem faltar os bens essenciais e considerando apenas uma pessoa, sem filhos.

CABAZ MÍNIMO

DESPESA MENSAL (média) VALOR Diferença para o Salário Mínimo Líquido 
Renda (1) 220€  
Alimentação (2) 150€  
Combustíveis (3) 150€  
Eletricidade/ gás 32€  
Passe social (4) 30- 40€  
Telecomunicações (5) 7,5-25€  
Água (6) 8-10€  
Pão (7) 6€  
TOTAL sem combustíveis e TV paga 453,5€ 111,65€
TOTAL  633€

-67,85€

(1) Renda possível para um T0 ou T1

(2) Cabaz só de marcas brancas em um supermercado com os preços mais baixos, pela avaliação da Deco

(3) Gasóleo para quem precisar do carro para ir para o trabalho

(4) Tomando como exemplo o Navegante Municipal ou Metropolitano em Lisboa

(5) A diferença depende se tem televisão paga ou os sete canais “gratuitos”, e pelas melhores ofertas nos sites das empresas de comunicações

(6) Valor médio no município de Almada, por exemplo

(7) Duas carcaças por dia, o pão mais barato

No TOTAL, sem combustíveis e tv paga os gastos chegam aos 453,5 euros. Valor que aumenta para 633 euros com estes dois itens e sem passe social. No primeiro caso, sobram 111,65 euros. Já no segundo o dinheiro não chega para as despesas do mês.

Lamentavelmente nos dois casos torna-se impossível fazer face a imprevistos. É que nem considerámos qualquer seguro de saúde e no caso em que sobram cerca de 100 euros o individuo não tem carro. 

Acresce que se imaginarmos uma renda mais elevada, muito comum nas maiores cidades, torna-se tudo ainda mais difícil.

Veja também: Os preços que vão mexer no nosso bolso a 1 de janeiro

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Alda Martins