Os estivadores não desarmam e garantem que vão continuar em greve, prolongando-a agora até dia 1 de janeiro. Os 91 profissionais do porto de Setúbal, que estão em protesto contra a empresa que lhes faz contratos ao dia, têm agora a solidariedade de trabalhadores de outros portos.

Os estivadores seus associados, representados em 8 portos nacionais (Leixões, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines, Caniçal, Ponta Delgada e Praia da Vitória), decidiram avançar para uma greve ao trabalho suplementar a qual está, neste momento, declarada até ao primeiro dia de 2019".

Exigindo uma "efetiva negociação salarial", "sem subterfúgios nem manobras de diversão", o SEAL - Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística afirma, em comunicado, que "uma vez que tudo aquilo que esteve na origem das formas de luta em curso – discriminação salarial em função da opção sindical, bloqueios na negociação colectiva, denúncias unilaterais de acordos e tentativa de manutenção da precariedade", entende que, "para se conseguir alcançar uma solução duradoura nos portos nacionais é fundamental que se abra uma mesa de negociações envolvendo os grandes grupos económicos que dominam actualmente os portos nacionais, a saber, Yilport, ETE e Sousa".

Adianta também que a 27 de Setembro e 22 de Outubro apresentou à ministra do Mar "as poucas condições necessárias para que, uma vez aceites pelos referidos grupos económicos, pudéssemos encontrar conjuntamente, no sítio certo de uma mesa de negociações, as melhores soluções para o bom funcionamento futuro dos portos nacionais". Os estivadores dizem que "nunca" receberam uma resposta, mas que continuam disponíveis para negociar. 

Ontem, a ministra Ana Paula Vitorino disse que as duas empresas que operam no Porto de Setúbal querem contratar 30 estivadores precários para os quadros, mas tal tem sido recusado pelos funcionários.

Isso não chega para aqueles trabalhadores. Parados há mais de uma semana, acusam não só as empresas como a ministra do Mar de se envolver no "tráfico de escravos" entre portos nacionais. Essa expressão vem no comunicado emitido esta sexta-feira, sendo que já ontem o sindicato tinha dito que a governante está a pactuar com a tentativa "ilegal" de substituir trabalhadores eventuais do porto de Setúbal por estivadores de Aveiro e Lisboa.

No Facebook, têm partilhado vídeos com mensagens de trabalhadores e deputados do BE e do PCP que se associaram à sua luta:

O maior partido da oposição, o PSD, exortou o Governo a tomar “uma posição firme” e a apresentar um plano de contingência que minore os efeitos negativos para a economia nacional.

É que esta paralisação já está a afetar algumas empresas, designadamente a Autoeuropa, que já atrasou a entrega de cerca de oito mil veículos que já deveriam ter saído de Setúbal para diferentes mercados de destino e continuam parados no cais (ver fotogaleria).