Tempos de Covid-19 são tempos para ficar em casa. Estar “sempre” em casa significa maior utilização da televisão e telemóvel ou derivados, mais luzes acessas, mais computadores ligados com teletrabalho, trabalhos escolares, estudos, mais jogos, mais filmes. Consumos que vão encarecer a sua conta mensal de energia. Mas nunca se esqueça que está a gastar menos noutros lados, e esse é um aspeto que compensa.

Em Espanha, o jornal El Mundo foi fazer as contas e diz que os espanhóis vão gastar, em média mais 25,72 euros por mês em energia, se considerarmos uma família tipica com um casal e dois filhos.  E mais 15,60 euros no caso de um lar com duas pessoas.

Por cá a TVI24/ Economia24 falou com o regulador do setor, para tentar perceber se há uma estimativa sobre o aumento dos consumo médio das famílias portuguesas em matéria de energia. Fonte oficial respondeu  que “a Erse disponibiliza um conjunto de dicas de poupança que são transversais a toda a população, independentemente da opção tarifária que possuem (tarifa simples ou bi-horária), contrato ou fornecedor. Estes conselhos visam ajudar a reduzir eventuais aumentos de consumo e encargos derivados de uma maior permanência das famílias em casa.”

E pode começar mesmo pela forma como deve utilizar a energia, mesmo sem estes gastos adicionais. Roupa e banhos já havia antes. E equipamentos para desligar quando dormimos ou lampadas mais economicas também.

Posto isto, e naquilo que consegue poupar lembre-se que, apesar de os consumidores estarem sempre em casa,

Tarifa bi-horária

- para quem tem tarifa bi-horária continuará a ser a opção tarifária mais vantajosa comparativamente com a tarifas simples, pelo que os consumidores devem manter os hábitos de consumo que concentram a utilização dos eletrodomésticos com maior consumo nos períodos de vazio, como são as máquinas de lavar roupa e louça, fornos elétricos, ferros de engomar e os equipamentos para aquecimento ambiente e de águas.

Utilização de computadores, telemóveis, televisões

 - outros equipamentos que tendem a ser utilizados durante o dia, nestas situações em que as famílias estão em casa, como computadores, telemóveis e televisões, por serem equipamentos de reduzida potência apresentam um efeito pouco expressivo no perfil de consumo, não alterando a vantagem da tarifa bi-horária face à tarifa simples.

Aconselha o regulador que para saber quais os aparelhos que consomem mais ou menos dentro de uma habitação, pode ser usado o simulador de potência contratada da Erse. 

Importa também relembrar a existência de tarifas sociais de venda a clientes finais, hoje aplicáveis automaticamente a um universo de quase 800 mil clientes, que contemplam um desconto de 33,8% face às tarifas aplicáveis à generalidade dos consumidores.

As tarifas sociais são aplicáveis aos beneficiários do :

·       subsídio social de desemprego,

·       complemento solidário para idosos

·       rendimento social de inserção

·       abono de família,

·       pensão social de invalidez,

·       pensão social de velhice,

·        e aos clientes finais economicamente vulneráveis considerados pessoas singulares que, no universo dos clientes finais de energia elétrica em baixa tensão normal, obtenham um rendimento anual igual ou inferior a 5.808 euros (acrescido de 50 % por cada elemento do agregado familiar que não aufira qualquer rendimento, até um máximo de 10), ainda que não beneficiem de qualquer prestação social.

Se é o seu caso. Ligue para a Erse e tente perceber o que pode fazer para aderir, mesmo neste momento.

Como o momento é crítico, o regulador recorda ainda que “avançou de imediato na interdição de cortes e no alargamento de prazos e da possibilidade de pagamento a prestações sem juros.”

Se for lesado não hesite em ligar para o regulador ou para Associação de Defesa do Consumidor, Deco.

Para terminar, se acha que está a fazer tudo o que pode para poupar e, mesmo assim, a fatura soube, não se esqueça que há alguns consumo que deixou de fazer, como comer fora, ir a restaurantes ou qualquer atividade de lazer fora de casa. Acresce, em vários casos, o que também não está a gastar em gasolina ou passe social, para ir trabalhar ou para os miúdos irem para a escola.

Se tiver dúvidas sobre este ou outros temas, envie e-mail para economia24@tvi.pt

Alda Martins